Brasil aproveitará Cúpula da Celac para defender candidatura de uma mulher latinoamericana ao comando da ONU

Mandato do secretário-geral António Guterres acaba em 2026. Brasil entende que nova indicação cabe à América Latina.

O governo brasileiro aproveitará a cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para defender a candidatura de uma mulher da região ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

A informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores. Nesta quarta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará da cúpula de chefes de Estado e de governo da Celac, que ocorrerá em Tegucigalpa, Honduras, e fará um discurso aos líderes presentes no evento.

O atual secretário-geral da ONU, o português António Guterres, ocupa o cargo desde 2017 e concluirá seu mandato no ano seguinte.

Segundo a secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, Gisela Padovan, o governo brasileiro apresentará duas propostas durante a cúpula: que a região se una em torno de uma candidatura única e que a pessoa indicada seja uma mulher.

A ONU nunca teve uma mulher ocupando o cargo de secretário-geral. Desde sua fundação, em 1945, a organização foi liderada por nove homens. O único latino-americano a ocupar o posto foi o diplomata peruano Javier Pérez de Cuéllar, que atuou de 1982 a 1991.

“O Brasil propôs duas declarações especiais [para a cúpula]. E uma é sobre a possibilidade de candidatura unificada para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas”, afirmou Gisela Padovan.

“Pela rotatividade regional, a gente entende que [a indicação] cabe à América Latina e ao Caribe. Então, estamos propondo que os países se unam e comecem a trabalhar em torno de uma candidatura única, o que nos dá maiores chances de fazer valer o princípio da rotatividade”, acrescentou a diplomata.

Nomes em aberto

Segundo Padovan, há “excelentes” mulheres que poderiam ser apoiadas pelo Brasil. Entre os nomes citados pela diplomata, estão os de:

  • Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile;
  • Mia Mottley, primeira-ministra de Barbados;
  • Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica.

“Nós temos, como Brasil, o interesse em ver uma secretária-geral da ONU mulher, até porque nunca houve. […] Há mulheres com cargos relevantes, posições relevantes e capacidade de liderança”, afirmou Padovan em uma entrevista sobre a participação de Lula na cúpula da Celac.

Embora tenha citado alguns nomes, a diplomata disse que a definição do nome a ser apoiado ainda está “em aberto”.

“O Brasil gostaria de ver, além de um candidato regional, uma mulher. Mas está tudo em aberto, é um processo absolutamente preliminar. Por isso a gente decidiu começar a discutir na região porque a gente entende que compete a nós. Então, se a gente apresentar um candidato unidos, isso dá mais peso. Mas está bem em aberto ainda”, completou.

A dificuldade para viabilizar a pretensão brasileira é encontrar um nome de consenso em uma região com governos de posições políticas divergentes.

Com informações do g1.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading