O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) divulgou nota em suas redes sociais comprometendo-se a investigar com rigor as imagens que mostram agentes retirando bens de uma residência durante uma operação no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. “Como tropa de elite, não compactuamos com desvios de conduta, e todo fato será apurado com rigor”, afirma o comunicado.
O texto ainda menciona que, embora a guerra urbana imponha pressões extremas, a prática do chamado “espólio de guerra” é inaceitável e será combatida. “O Bope existe para preservar a honra, a disciplina e o respeito ao povo que servimos”, finaliza a nota.
Câmeras corporais registram conduta irregular
As gravações mostram oito policiais vasculhando uma residência de dois andares, mexendo em armários, gavetas e baús, avaliando roupas, calçados e perfumes, e separando itens em mochilas. Um dos agentes chega a brincar: “Se estivesse com a viatura, levava a JBL”.
O caso veio à tona após vazamento das imagens, que foram publicadas pelo blog True Crime, do jornal O Globo, e cedidas ao g1. A Corregedoria da PM abriu investigação e afastou os envolvidos da atividade externa.
Operação tinha alvo específico
A ação, denominada Operação Caixinha, ocorreu em 15 de janeiro e tinha como objetivo desarticular a estrutura financeira do Comando Vermelho, mirando o traficante Fhillip Gregório da Silva, o Professor, apontado como fornecedor de armas da facção. Durante a operação, 13 pessoas foram presas e três morreram. Fhillip faleceu em junho em circunstâncias tratadas como suicídio.
Conversas em vídeo revelam comportamento impróprio
Nos registros, os policiais comentam valores de tênis de grife, experimentam perfumes importados e fazem piadas sobre videogames. Um agente tenta desbloquear um celular e o devolve à moradora, alegando que não queria ser acusado de levá-lo. A descoberta só foi possível porque a câmera corporal do cabo Leandro Silva Pereira dos Santos continuou gravando, mesmo após ele afirmar que não estava filmando.
Medidas tomadas pela PM e Ministério Público
A Corregedoria da PM concluiu a investigação e enviou os autos ao Ministério Público da Auditoria da Justiça Militar. Os oito policiais identificados foram afastados das ruas e atuam atualmente em funções administrativas. A Secretaria de Estado de Polícia Militar reforçou que não compactua com desvios de conduta e que punirá rigorosamente os envolvidos. O Inquérito Policial Militar segue sob análise do Ministério Público.






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