*Paulo Baía
Instituto Datafolha divulgou no dia 15 de setembro sua enquete para o Senado no estado do Rio de Janeiro.
A nova pesquisa não apresenta diferenças da pesquisa anterior do dia 09/09. Aponta Romário/PL com 31%, Alessandro Molon/PSB com 13%, Clarissa Garotinho/União Brasil com 8%, Cabo Daciolo/PDT com 7% e André Ceciliano com 5%. A diferença dessa pesquisa para a anterior está no cenário espontâneo, em que se constatava um nível de indecisão muito elevado, em torno de 70% dos eleitores sem escolhas.
A explicação é que, a duas semanas do dia 2 de outubro, dia da votação, a campanha que vinha polarizada exclusivamente na disputa para Presidente da República entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro ganha nova dimensão a partir do dia 7 de Setembro.
O eleitorado começou a pensar em quem vai votar para deputado estadual, deputado Federal, para senador e para governador. A pesquisa para o senado indica uma fotografia mais próxima das probabilidades do dia 02 de outubro, com os candidatos que estão efetivamente disputando a única vaga. Digo efetivamente pois Romário/PL bolsonarista, Clarissa Garotinho/União Brasil bolsonarista e André Ceciliano/PT lulista têm os mesmo níveis de competitividade e possibilidades de chegar em primeiro lugar. Alessandro Molon/PSB, uma terceira via de esquerda, está em seu teto de possibilidades.
Cabo Daciolo/PDT também está no seu teto de possibilidades eleitorais.
Daniel Silveira/PTB bolsonarista, teve sua candidatura impugnada pela justiça eleitoral, seus 6% serão disputados por Marcelo Itagiba, Clarissa Garotinho e Romário, pelo bolsonarismo, que tem várias candidaturas ao senado no RJ, ao contrário de Lula, que só tem um candidato, André Ceciliano.
Nesse momento em que o eleitor/eleitora já tem seu candidato para Presidente da República definido basicamente entre Lula e Bolsonaro, só 20% votarão nas demais candidaturas, ele começa a fazer suas escolhas a partir, prioridariamente, de Jair Bolsonaro e Lula, mas também por suas visões de mundo, de suas necessidades, de seus desejos, de seus afetos. Como a eleição desse ano está polarizada de fato, suas visões de mundo, necessidades, desejo e afetos estão vinculados ao retorno ao que foi o governo Lula de 2003 a 2010 ou à continuidade do que é o governo Bolsonaro. Esse é papel cruel da polarização entre Lula x Bolsonaro, influenciar, definir diretamente as escolhas de deputados estaduais, deputados federais e senador.
Assim tem-se dois candidatos vinculados a Bolsonaro, Romário e Clarissa Garotinho, e um candidato vinculado a Lula, André Ceciliano. Esse movimento está se construindo do dia 7 de setembro e irá até o dia 02 de Outubro.
Vamos ver as candidaturas afunilando-se de maneira bipolar entre Lula e Bolsonaro – será o candidato que apoia Lula, no caso André Ceciliano, contra as duas candidaturas que apoiam e são apoiadas por Bolsonaro, no caso Romário e Clarissa Garotinho.
Temos dois nomes que estão bem posicionados, mas chegaram ao teto de suas possibilidades, Alessandro Molon, do PSB, que é um candidato de esquerda da terceira via, que tem votos nas universidades, na intelectualidade carioca, um eleitor que não quer que o candidato Jair Bolsonaro vença para o senado no RJ como em 2018.
Portanto, o eleitor de Alessandro Molon tende a migrar para André Ceciliano. Já quanto a Cabo Daciolo, um candidato messiânico, que tem uma fala voltada para uma missão divina, seus eleitores, basicamente pobres evangélicos, vão se dividir entre Romário e Clarissa Garotinho.
Creio que a migração de votos de Cabo Daciolo será muito pequena, Cabo Daciolo não perderá votos da reta final, pois o eleitor de Cabo Daciolo é fiel.
Quem tende a perder votos por migração de voto nessa reta final, um um voto útil, pragmático, para não permitir a vitória de um dos dois candidatos de Bolsonaro, é Alessandro Molon.
Alessandro Molon com certeza, sem o apoio de Lula, sem o apoio do PT e sem o apoio do próprio PSB, tende a a ver na sua campanha, na reta final, seus eleitores, mesmo a contragosto, caminharem em direção a André Ceciliano, do PT e candidato do Lula.
Os eleitores prováveis de Alessandro Molon não possuem a alternativa que não seja votar em André Ceciliano ou facilitarem a vitória de Romário ou Clarissa Garotinho. A campanha do Rio de Janeiro para o Senado se resume aos nomes de Jair Bolsonaro com Romário e Clarissa e Lula com André Ceciliano.
*Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ





