A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou ontem (6) uma nota de repúdio ao governo federal, na qual reitera a segurança da vacinação contra a Covid19 em crianças de 5 a 11 anos e diz que a população não deve temer o imunizante —mas, sim, a doença que ele busca prevenir.
A carta, segundo a entidade, foi feita em resposta a “comentários de autoridades sobre possíveis riscos decorrentes da imunização”. A manifestação ocorreu horas depois de o presidente Jar Bolsonaro voltar a atacar a vacinação infantil e pedir que pais não se deixem levar pelo que chamou de propaganda.
Em uma entrevista à TV Nova Nordeste, Bolsonaro minimizou o número de mortes por Covid entre crianças. Disse que não conhece nenhum caso. Trata-se de má-fé ou ignorência, porque o próprio Ministério da Saúde registra 308 mortes de crianças de 5 a 11 anos, desde o início da pandemia.
Bolsonaro também duvidou da honestidade da Anvisa, por ter aprovado a vacinação infantil contra Covid e chamou quem defende a imunização de “tarados por vacinas”. As cenas foram publicadas nas redes sociais do presidente.
O presidente reafirmou que não vacinará a sua filha Laura, de 11 anos, o que vai colocá-la em risco de adquirir a doença ou transmitir o vírus a outras pessoas, sobretudo depois da volta às aulas.
Segundo a Sociedade Brasleira de Pediatria, “até o momento, os estudos realizados apontam a eficácia e a segurança da vacina aplicada na população pediátrica, a qual é fundamental no esforço para reduzir as formas graves da Covid-19”, diz a SBP.
“A vacina previne a morte, a dor, sofrimento, emergências e internação em todas as faixas etárias. Negar este benefício às crianças sem evidências científicas sólidas, bem como desestimular a adesão dos pais e dos responsáveis à imunização dos seus filhos, é um ato lamentável e irresponsável, que, infelizmente, pode custar vidas”, segue.
A entidade ainda destaca que os indicadores de mortes por Covid-19 entre crianças brasileiras “são mais expressivos do que em outras nações” e que a doença pode gerar complicações como a a chamada vida longa e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica.






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