Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniram na tarde desta terça-feira (7) no centro de Brasília para participar de uma caminhada em defesa da anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O movimento, convocado pelo pastor Silas Malafaia, começou no Complexo Cultural da República e seguiu até a Alameda José Sarney, nas proximidades do Congresso Nacional.
Entre os presentes estavam a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, além de parlamentares bolsonaristas como Nikolas Ferreira (PL-MG), Hélio Lopes (PL-RJ), Alberto Fraga (PL-DF) e Joaquim Passarinho (PL-PA). A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal ainda não divulgou estimativa de público, mas a PM reforçou o policiamento na Esplanada, com o apoio do Batalhão de Choque, cavalaria e cães.
Flávio Bolsonaro afirmou acreditar que o projeto de lei que concede anistia aos envolvidos nos ataques será aprovado no Congresso. “Estamos a um passo de conseguir aprovar essa anistia”, disse o senador, ao destacar que o pai, que cumpre prisão domiciliar, o incentiva a continuar “lutando” pela causa.
Os manifestantes levaram bandeiras do Brasil, de Israel e dos Estados Unidos, pedindo uma anistia “ampla e irrestrita”. O ato tenta reagrupar a base bolsonarista após as manifestações de esquerda do último dia 21 de setembro, que reuniram artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil e contribuíram para enterrar a chamada PEC da Blindagem — proposta que também beneficiaria aliados do ex-presidente.
Segundo Malafaia, a ideia da caminhada é “dar resposta às ruas” após os protestos contrários à anistia. “Não podemos deixar a esquerda com a última palavra”, declarou o pastor, que estimou pelo menos 5 mil pessoas na Esplanada.
Atualmente, cerca de 1.200 pessoas já foram condenadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação nos atos do 8 de janeiro, que resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. Destas, 29 seguem presas preventivamente, 112 cumprem prisão definitiva e 44 estão em prisão domiciliar.
O projeto relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), porém, trata de redução de penas, e não do perdão integral aos condenados — ponto central defendido pelos bolsonaristas. Para Valdemar Costa Neto, “a maneira de aprovar a anistia é colocar o povo na rua”.
Nas redes sociais, Nikolas Ferreira fez alusão à anistia de 1979, postando uma imagem de Lula com uma camiseta alusiva ao tema, em referência ao perdão concedido durante a redemocratização. O gesto tenta traçar um paralelo histórico entre aquele momento e o atual — embora o contexto jurídico e político seja distinto.
A mobilização desta terça marca mais um capítulo da pressão bolsonarista sobre o Congresso em busca de anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos que abalaram a capital federal há quase dois anos.






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