Rodrigo Vilela
A eleição indireta para o governo do Rio, curiosamente, está longe de ser uma unanimidade no PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Parte considerável da legenda de Cláudio Castro aposta em benefícios da eleição direta antes do pleito de outubro – ainda que em caso de derrota de um correligionário para Eduardo Paes – e torce o nariz para uma decisão por meio da Alerj.
Vamos lá: enquanto a maior parte do partido defende uma eleição indireta, como forma de fazer com que Douglas Ruas comande a máquina estadual às vésperas da eleição, outra ala dos bolsonaristas avalia que uma eleição direta no meio do ano traria benefícios.
É que desconhecido do grande público, Ruas ganharia visibilidade e poderia aproveitar um recall disto em outubro. Mas, a estratégia bolsonarista vai além: caso seja feita a eleição direta, Ruas será apresentado como o candidato de Flávio Bolsonaro ainda no primeiro semestre. Desta forma, Paes seria associado ao presidente Lula e a campanha no Rio ainda teria a presença do deputado Nikolas Ferreira. Resumindo, a disputa do Rio inauguraria o embate nacional.
Ou seja: seria uma forma de antecipar a estratégia de promoção do deputado estadual, enquanto Paes poderia ficar encurralado, tendo que se posicionar em relação a Lula.
Em paralelo, avaliam alguns bolsonaristas, Paes teria pouco tempo à frente da máquina publica em um estado com R$ 19 bilhões em déficit. Logo, teria pouco a fazer e quase nada a se beneficiar.
Em outubro, portanto, em uma eventual segunda eleição direta, Ruas já partiria de um patamar razoável de votos e a eleição fluminense poderia caminhar ao sabor da eleição presidencial – onde Flávio tem mostrado índices melhores do que Lula.






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