O ex-policial penal Jorge José Guaranho (foto) enfrentará júri popular no dia 11 de fevereiro, em Curitiba, pelo assassinato do guarda municipal e tesoureiro do PT de Foz do Iguaçu, Marcelo Arruda. O crime, ocorrido em 9 de julho de 2022, durante a festa de 50 anos da vítima, teve forte repercussão nacional e internacional. A comemoração tinha como tema o Partido dos Trabalhadores e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Guaranho, que não conhecia Arruda, invadiu o evento exaltando Jair Bolsonaro e abriu fogo contra o aniversariante.
Inicialmente marcado para ocorrer em Foz do Iguaçu, o julgamento foi transferido para Curitiba a pedido da defesa do réu. Além disso, já foi adiado três vezes. Em abril de 2023, os advogados de Guaranho abandonaram o plenário em protesto contra decisões judiciais desfavoráveis, resultando em nova remarcação. O júri será presidido pela juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba. A acusação será conduzida pelas promotoras Roberta Franco Massa e Ticiane Louise Santana Pereira, com apoio dos advogados da família de Arruda.
Motivação política
A denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR) sustenta que o crime teve motivação política. Perícias indicam que Guaranho gritou frases como “petista tem que morrer” ao invadir o salão de festas. Além disso, a acusação aponta que ele atirou contra Arruda quando este já estava caído, colocando outros convidados em risco. O réu responde por homicídio duplamente qualificado — por motivo fútil e perigo comum.
Para Pamela Silva, viúva de Arruda, os adiamentos do julgamento ampliam o sofrimento da família. “É a quarta vez que o júri é marcado. Esperamos que finalmente o assassino do Marcelo seja julgado e condenado. Enquanto ele segue em casa, em prisão domiciliar, nós seguimos na dor”, declarou.
O caso impulsionou o debate sobre violência política no Brasil. Como resposta, o dia 9 de julho foi instituído como o Dia de Luta contra a Intolerância Política no Paraná e no Distrito Federal.
O crime e a prisão de Guaranho
Na noite do assassinato, Guaranho estava em uma confraternização próxima ao salão onde ocorria a festa de Arruda. Após saber da temática petista do evento por meio de um amigo que acessou câmeras de segurança, ele foi ao local acompanhado da esposa e do filho bebê, fez ameaças e afirmou que retornaria para matar os presentes. Minutos depois, voltou sozinho e disparou contra Arruda, que ainda tentou reagir, mas morreu no local.
Ex-agente da Penitenciária Federal de Catanduvas, Guaranho foi exonerado do cargo em março de 2023 por ordem do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. No entanto, segue em prisão domiciliar desde setembro, após um habeas corpus concedido pela Primeira Câmara Criminal do TJ-PR.
Agora, a expectativa é que o júri finalmente ocorra e traga uma resposta definitiva à família de Arruda. “Que finalmente seja feita justiça”, desabafa Pamela.
Com informações de Revista Fórum





