As projeções para a inflação brasileira registraram quatro semanas consecutivas de recuo e levaram a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 a encerrar o primeiro mês do ano em 3,99%. O movimento sinaliza uma acomodação das expectativas no curto prazo, ainda que as previsões para horizontes mais longos permaneçam praticamente inalteradas, segundo os dados mais recentes do Boletim Focus.
O levantamento, divulgado pelo Banco Central, reúne estimativas de analistas do mercado financeiro e é uma das principais referências para o acompanhamento das expectativas macroeconômicas no país.
Expectativas de inflação no curto e médio prazos
Apesar da queda na projeção para 2025, as previsões para os anos seguintes seguem estáveis há meses. Para 2027, os analistas mantêm a estimativa de inflação em 3,80%, patamar repetido pela 13ª semana consecutiva. Já as projeções para 2028 e 2029 continuam em 3,50%, mantidas há 13 e 22 semanas, respectivamente.
Em entrevista ao Valor, o economista Tiago Berriel, ex-diretor do Banco Central e atual estrategista-chefe do BTG Pactual, apresentou uma leitura ainda mais benigna para o comportamento dos preços no médio prazo. Segundo ele, nos cálculos feitos a partir de modelos do próprio Banco Central, a inflação em 18 meses — o chamado horizonte relevante da política monetária — já estaria em torno de 3,1%.
Política monetária e sinalização do Copom
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros da economia em 15% ao ano. Embora a decisão tenha sido de estabilidade, o comunicado indicou a possibilidade de início de um ciclo de cortes a partir de março, caso o cenário atual seja mantido.
De acordo com o Boletim Focus, a expectativa predominante no mercado é de que a taxa Selic termine o ano em 12,25%. A sinalização reforça a leitura de que a autoridade monetária começa a enxergar espaço para flexibilização, à medida que as expectativas de inflação se mostram mais ancoradas.
Dólar e PIB permanecem estáveis nas projeções
A recente queda da cotação do dólar no mercado internacional e no Brasil não foi suficiente para alterar as expectativas dos analistas consultados pelo Banco Central. Há 16 semanas, a projeção é de que a moeda americana encerre o ano cotada a R$ 5,50.
Também não houve mudanças nas estimativas para o crescimento da economia. Para o Produto Interno Bruto (PIB), o mercado segue projetando uma expansão de 1,80%, indicando um cenário de crescimento moderado, mas consistente, para a atividade econômica ao longo do ano.






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