Depois de 15 semanas consecutivas de revisões para cima, as expectativas do mercado financeiro para a inflação oficial de 2026 permaneceram estáveis. Os dados constam no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Banco Central, que reúne as projeções de instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores da economia brasileira.
Segundo o levantamento, a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi mantida em 5,33% ao final deste ano. A estabilidade interrompe uma sequência de aumentos iniciada após o impacto da guerra no Irã sobre as expectativas econômicas, movimento que vinha pressionando as estimativas para a inflação.
Apesar da interrupção das altas, a projeção continua acima do teto da meta de inflação estabelecida para o período. O objetivo central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que permite um intervalo entre 1,5% e 4,5%.
Inflação acumulou 15 semanas de revisões
A trajetória de alta das projeções começou a ganhar força após o agravamento do conflito no Irã, ocorrido no fim de fevereiro. Embora o episódio tenha se iniciado em 28 de fevereiro, seus efeitos passaram a ser incorporados às estimativas apenas na edição do Boletim Focus divulgada em 16 de março.
Na ocasião, a expectativa para o IPCA passou de 3,91% para 4,1%. Desde então, o mercado promoveu sucessivas revisões para cima durante 15 semanas consecutivas, levando a estimativa para 5,33%.
O boletim desta semana representa a primeira interrupção desse ciclo de elevação, ainda que o índice esperado permaneça acima do limite superior da meta de inflação.
Projeções para os próximos anos
Embora a estimativa para 2026 tenha permanecido inalterada, os analistas voltaram a revisar para cima a expectativa de inflação para 2027.
A projeção passou de 4,15% para 4,17%, registrando a sexta semana consecutiva de aumento. Para os anos seguintes, entretanto, não houve mudanças. As expectativas permanecem em 3,7% para 2028 e em 3,5% para 2029.
O comportamento das projeções indica que o mercado continua prevendo um processo gradual de desaceleração da inflação ao longo dos próximos anos, embora ainda acima da meta em parte do período analisado.
Juros seguem em 14% neste ano
As expectativas para a taxa básica de juros, a Selic, também ficaram estáveis nesta semana.
O mercado manteve a previsão de que a taxa encerrará 2026 em 14%, interrompendo duas semanas consecutivas de revisões para cima.
Para os anos seguintes, apenas a estimativa referente a 2028 sofreu alteração. A expectativa passou de 10,25% para 10,5%.
As previsões para 2027 e 2029 permaneceram inalteradas em 12% e 10%, respectivamente.
PIB tem nova revisão positiva
Entre os principais indicadores econômicos acompanhados pelo mercado, a única mudança referente a 2026 ocorreu na projeção para o crescimento da economia brasileira.
A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,98% para 1,99%, representando a sexta revisão consecutiva para cima.
Embora o ajuste tenha sido pequeno, ele reforça a percepção de crescimento gradual da atividade econômica ao longo do ano.
Dólar permanece estável
A expectativa para a cotação do dólar ao fim de 2026 permaneceu inalterada.
Segundo o Boletim Focus, os analistas continuam projetando que a moeda estadunidense encerrará o ano cotada a R$ 5,20, repetindo a previsão divulgada na semana anterior.
A estabilidade das projeções para o câmbio acompanha o cenário de poucas mudanças nas expectativas gerais do mercado nesta edição do levantamento, após várias semanas de revisões relevantes nos principais indicadores econômicos.






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