Casas de apostas representadas pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) pretendem bloquear a partir de 1º de outubro o uso do cartão de crédito para jogos de azar online e apostas esportivas.
A entidade afirmou nesta quarta-feira (25) que obteve consenso entre empresas de bet associadas para antecipar norma que seria implementada por portaria do Ministério da Fazenda a partir de janeiro de 2025. Um aceno após a repercussão da nota técnica do Banco Central sobre os gastos dos brasileiros com bets.
“Vamos recomendar a todos e encerrar qualquer operação com cartão”, diz Plínio Jorge, presidente da ANJL. “Todos irão seguir a recomendação.”
Pesquisa do Instituto Locomotiva divulgada no mês passado mostra que 86% dos apostadores brasileiros têm dívidas e 64% estão com o nome sujo.
“A proibição do cartão de crédito nas apostas online afetará principalmente os jogadores que apostam com frequência, aproveitando a facilidade do crédito para fazer apostas rápidas e recorrentes”, diz Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva.
Apesar da maioria das apostas ser feita via Pix, o cartão funciona como um crédito extra, segundo o especialista.
“Para a população de baixa renda, essa restrição é crucial, pois diminui o risco de endividamento. Sem o crédito, muitos podem reconsiderar suas apostas, limitando o ciclo de dívidas”.
O presidente em exercício Geraldo Alckmin (PSB), se reuniu na manhã de terça-feira (25) com representantes das pastas da Saúde, Justiça e Fazenda para discutir melhorias na regulação do setor de apostas online. Uma das discussões à mesa era justamente a antecipação da proibição do cartão de crédito.
Outras grandes empresas de bets, como Bet365, Betway, LeoVegas, KTO e Novibet estão sob o guarda-chuva do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que ainda não manifestou direcionamento oficial sobre o assunto.
Beneficiários do Bolsa Família que fazem apostas esportivas online gastaram R$ 3 bilhões em bets via Pix no mês de agosto, segundo uma análise técnica feita pelo Banco Central divulgada nesta quarta-feira (25). O montante destinado às empresas de apostas corresponde a 20% do valor total repassado pelo programa no mês.
No total, de acordo com o Banco Central, foram identificados R$ 21,1 bilhões em apostas em agosto via Pix (levando em conta todos os apostadores e bets que o Banco Central conseguiu identificar).
Os dados consideram apenas os recursos pagos pelos apostadores utilizando o sistema de pagamentos instantâneos do BC e não contabilizam desembolsos realizados por outros meios, como cartões de débito ou crédito. Isso significa que as cifras podem ser ainda mais elevadas.
O volume bruto de recursos destinados pela população às empresas do setor em 2024 supera projeções usadas pelo Ministério da Fazenda. Novas estimativas do valor bruto só com Pix já ultrapassam os R$ 200 bilhões, ante R$ 150 bilhões por ano calculados anteriormente.
Integrantes da pasta vinham ressaltando que não tinham levantamentos próprios para mensurar o potencial e salientavam que os dados ainda não eram acurados, visto que o mercado é em grande parte uma novidade para o país.
Com informações da Folha de São Paulo





