Um dos signatários da “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do estado democrático de direito”, a ser lançada no dia 11 de agosto, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, que testemunhou a apresentação de documentos semelhantes no passado, diz que a batalha pela democracia é “uma jornada longa, que a gente imagina que vai se realizar rapidamente e não se realiza”.
Para ele, diferentemente do que disse Jair Bolsonaro, o manifesto, que teve a assinatura de grandes nomes do empresariado, “é cartada e não cartinha”.
“Esse documento é importante do ponto de vista não só do número de signatários, que é muito grande e ainda deve angariar mais assinaturas, mas é, de outra forma, a reprodução daquelas atitudes, dos manifestos que foram escritos naquele período, que ajudaram muito. É importante na formação da convicção das pessoas”, diz Belluzzo.
Veja um trecho da entrevista de Beluzzo à Folha:
– O sr. diz que a lista dos signatários tem nomes de pessoas que votaram no Bolsonaro em 2018. A que o sr. atribui?
– Sim. A vida social é assim mesmo. As pessoas se dão conta. Muitas pessoas das minhas relações, que votaram no Bolsonaro, agora estão dispostas a não votar mais. Não são poucos. Isso é típico da democracia. Você percebe que cometeu um erro de escolha, um equívoco. Naquele momento, parecia a eles que o Bolsonaro seria o mais adequado para o Brasil. Só que ao longo do governo, parece que não demonstrou essa capacidade de encaminhar direito as questões da sociedade brasileira, que são muito complexas. Ele é uma pessoa que tem uma tradição de intolerância.
– O presidente chamou o manifesto de cartinha. Como isso foi recebido?
– Esse manifesto não é cartinha. Eu chamaria de cartada. E ele ainda disse que os banqueiros assinaram por causa do Pix. Eu nunca vi uma besteira tão grande. É uma bobagem, porque o Pix é muito bom para os bancos. Facilita as transações.






Deixe um comentário