Base governista entra em conflito na Alerj por CPI dos Incêndios e expõe divergências políticas

Discussão em plenário mostra racha entre aliados do governo e troca de acusações pessoais

A primeira grande discussão do ano na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) não ocorreu entre oposição e bolsonaristas, mas dentro da própria base do governo. Durante a sessão desta terça-feira (10), o clima esquentou entre os deputados Alexandre Knoploch (PL) e Vinícius Cozzolino (União Brasil), que protagonizaram um bate-boca com trocas de acusações e ironias em plenário.

O episódio teve início a partir de uma reclamação de Knoploch sobre a demora na instalação da CPI dos Incêndios, proposta por ele após o incêndio no Shopping Tijuca. O parlamentar questionou o fato de a CPI do Gás ter avançado antes, mesmo tendo sido protocolada posteriormente.

Questionamentos sobre a CPI dos Incêndios

Ao se dirigir à Mesa Diretora, Alexandre Knoploch cobrou explicações sobre os critérios adotados para a publicação das propostas de comissões parlamentares de inquérito.

“Sr. Presidente, no último dia 3, semana passada, início dos nossos trabalhos na Alerj, foi protocolado um projeto de resolução de minha autoria que trata do incêndio do Shopping Tijuca, pedindo a CPI do Shopping Tijuca. Em seguida, foi também protocolado nesta Casa a CPI do Gás, que foi publicada em DO, mas a CPI do Shopping Tijuca, não. Eu gostaria que, caso fosse possível, a presidência explicasse qual o critério da publicação de uma e de outra”, afirmou.

O presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), respondeu que a análise estava sob responsabilidade da Procuradoria da Casa. Knoploch insistiu e também levantou questionamentos regimentais, alegando que a CPI do Gás foi publicada como projeto de resolução sem votação em plenário, o que, segundo ele, fere o regimento interno.

Diante da controvérsia, o líder do governo, Rodrigo Amorim (União Brasil), pediu a palavra e sugeriu uma solução regimental para a questão levantada por Knoploch. Amorim argumentou que o próprio regimento permite que a presidência publique uma CPI por meio de requerimento, o que poderia corrigir o procedimento adotado.

Discussão se transforma em provocação

Na sequência, Cozzolino saiu em defesa da condução dos trabalhos da presidência e criticou a proposta de investigação relacionada ao Shopping Tijuca.

“Eu acredito que o estado já tem as suas dificuldades econômicas. Acho um absurdo as pessoas quererem investigar shopping centers que estão empregando pessoas, aquecendo a nossa economia; e o estado tem problemas gravíssimos para serem resolvidos”, disse o deputado, acrescentando que a Casa deveria priorizar pautas que impactem diretamente a vida da população.

A fala provocou reação imediata de Alexandre Knoploch, que acusou Cozzolino de desrespeito e relembrou as mortes ocorridas no incêndio.

“Deputado pode propor a comissão parlamentar de inquérito que bem entender, desde que ele tenha os apoiamentos e depois vem à Casa. Talvez ele não saiba, mas duas pessoas morreram”, afirmou. Em tom duro, Knoploch também fez ataques pessoais ao colega, cobrando respeito no plenário.

No mesmo discurso, Knoploch elevou o tom e fez ataques diretos a Cozzolino, citando o prefeito do Rio de Janeiro. “Se ele está agora ‘encachaçado’ pelo Eduardo Paes, o problema é dele. Agora, uma coisa é clara: há de se ter respeito nesta Casa”, disse o parlamentar, antes de afirmar que nunca questionou proposições apresentadas por outros deputados.

Troca de acusações e defesa do governo

Cozzolino respondeu elevando ainda mais o tom, acusando Knoploch de destinar emendas para uma subsecretaria ocupada por sua esposa e insinuando negociação política com o governo estadual.

Na mesma intervenção, afirmou que o colega teria deixado de criticar o Executivo justamente por conta da criação do cargo ocupado pela mulher e disse que Knoploch havia sido “tchutchucalizado” pelo então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil).

“Eu faço um trabalho sério, não sendo ‘tchutchucalizado’ por quem comandava a Casa não”, declarou Cozzolino, ao afirmar que sua votação é fruto do apoio popular em Magé.

Intervenção do líder do governo

A nova rodada de acusações levou Rodrigo Amorim a intervir novamente, desta vez para defender o governo Cláudio Castro e rebater o que classificou como acusações caluniosas.

“Eu quero refutar essa afirmação caluniosa do Deputado Vinícius Cozzolino, em nome do governo, no sentido de que não houve, não há nenhum tipo de negociação ou barganha de venda de espaços políticos”, declarou Amorim.

O líder governista também criticou o que chamou de misoginia ao atacar uma mulher gestora por sua relação familiar, afirmando que cargos no Executivo são de livre escolha do governador e devem se basear na competência.

O embate evidenciou fissuras dentro da base aliada logo no início do ano legislativo e sinalizou que disputas internas podem marcar os próximos debates na Assembleia.

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