Barroso diz que não pautará aborto no Supremo para que haja mais debate

Recém-empossado no cargo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso afirmou à jornalista Mônica Bergamo que não pretende retomar o julgamento sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.  “Não há nenhuma previsão para marcar o julgamento sobre a descriminalização do aborto até o terceiro mês de gestação. Entendo que esse…

Recém-empossado no cargo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso afirmou à jornalista Mônica Bergamo que não pretende retomar o julgamento sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. 

“Não há nenhuma previsão para marcar o julgamento sobre a descriminalização do aborto até o terceiro mês de gestação. Entendo que esse é um tema que ainda precisa de mais debate na sociedade”, afirmou Barroso à coluna.

No mês passado, pouco antes de se aposentar, a ministra Rosa Weber, então presidente do STF, colocou a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 442 em pauta e deu um voto considerado histórico em defesa da descriminalização do procedimento. A reação ao tema, por parte grupos conservadores, é grande, com reflexos no Congresso.

Barroso, na sequência de Rosa, apresentou um pedido de destaque, levando o tema ao plenário presencial para que futuramente ele seja discutido entre os ministros. A votação de temas como o aborto, o marco temporal e a descriminalização das drogas serviu de pretexto para que parlamentares intensificassem a tensão entre o Congresso Nacional e o STF. Barroso afirmou que não vê nenhum problema na relação entre os poderes.

“Nosso desenho constitucional prevê o sistema de freios e contrapesos entre os poderes. O Congresso tem o papel de aprovar leis e pode mudar a Constituição, e o Supremo tem o poder de julgar casos que chegam ao tribunal à luz das leis e da Constituição”, disse o presidente do STF.

“É absolutamente natural que alguns temas sejam debatidos nas duas Casas, e isso não significa que haja interferência de um poder nas atribuições do outro”, concluiu.

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