247 – O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral apontou os crimes de Jair Bolsonaro, que permanecem impunes. “O presidente tinha dado a palavra de que esse assunto estava encerrado. Chegou a elogiar o sistema de votação eletrônico brasileiro. O filme é repetido, com um mau roteiro. Não há nenhuma razão para assistir à reprise. Antes, o presidente dizia que tinha provas de fraude. Intimado a apresentá-las, (ficou claro que) não havia coisa alguma. Essa é uma retórica repetida. É apenas um discurso vazio”, afirmou Barroso, sobre o novo ataque de Bolsonaro às urnas eletrônicas, em entrevista à jornalista Mariana Muniz, do Globo.
Barroso, chamou Jair Bolsonaro de burro. Na avaliação do magistrado, o atual governo federal facilitou a vida das milícias digitais. Também aproveitou para dar seu ponto de vista sobre liberdade de expressão.
A reportagem pergunta se o magistrado tem preocupação com as eleições presidenciais. “O TSE assegurará eleições livres, limpas e seguras. A polarização existe em todo o mundo. E a democracia tem lugar para liberais, para progressistas e para conservadores. Ela só não tem lugar para os que querem destruí-la. Acho que já superamos os ciclos do atraso, e não acho que haja risco de retrocesso, apesar de termos tido alguns maus momentos recentes”, destacou.
Quando indagado sobre quais ações representavam “os ciclos do atraso”, ele não se calou. “Comício do presidente na porta do quartel-general do Exército, tanques na Praça dos Três Poderes, a minguada manifestação do 7 de setembro com discursos golpistas de desrespeito a decisões judiciais e ataques a ministros. Tudo isso eu acho que mais revela limitações cognitivas e baixa civilidade do que propriamente um risco real”, detonou.
Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro foi questionado se o chefe do executivo federal cometeu algum crime em relação ao vazamento da estrutura interna da área de Tecnologia da Informação da Corte. Ele optou por não fazer nenhum julgamento, mas criticou o governante.
“Eu não tenho que julgar. Eu me referi ao relatório da delegada que conduz o inquérito e que tem uma opinião que merece ser respeitada. A delegada tem estabilidade. E isso dá o tom do que de fato aconteceu. Ainda na gestão anterior do TSE, houve uma tentativa de invasão (do sistema)”, comentou.
Barroso também mencionou o vazamento de um inquérito sigiloso da Polícia Federal sobre as urnas eletrônicas por aliados do próprio Bolsonaro. “Eu me referi ao relatório da delegada que conduz o inquérito e que tem uma opinião que merece ser respeitada. A delegada tem estabilidade. E isso dá o tom do que de fato aconteceu. Ainda na gestão anterior do TSE, houve uma tentativa de invasão (do sistema). Foi instaurado um procedimento sigiloso no TSE, um inquérito sigiloso na Polícia Federal no qual foram requeridas informações sensíveis sobre a arquitetura interna do TSE e esse material foi colocado na rede social do presidente. O presidente facilitou a vida das milícias digitais”, afirmou.
Barroso também comentou o eventual banimento do Telegram e falou sobre liberdade de expressão. “Liberdade de expressão não é liberdade para vender arma. Não é liberdade para propagar terrorismo, para apologia ao nazismo. Não é ser um espaço para que marginais ataquem a democracia. Portanto, ninguém quer censurar plataforma alguma, mas há manifestações que não são legítimas. É justamente para preservar a democracia que não queremos que estejam aqui livremente plataformas que querem destruir a democracia e a liberdade de expressão”, afirmou.






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