A Operação Barricada Zero atingiu a marca de 1.500 toneladas de entulho e obstáculos retirados de comunidades dominadas pelo crime organizado no estado. O balanço foi divulgado pelo Governo do Estado no fim da tarde desta quinta-feira (27), quarto dia consecutivo da ação.
Apenas hoje, foram removidas 318 toneladas de barricadas, em um dia marcado por intensos confrontos, queima de pneus e impactos no trânsito logo no início da manhã. As ações simultâneas ocorreram em 22 pontos distribuídos por sete municípios: Rio de Janeiro, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Mesquita e Queimados.
Segundo o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), as equipes atuaram nas seguintes frentes:
- Rio de Janeiro: Cidade Alta, Pica-Pau, Kelsons, Quitungo, Tinta, Dourados, Dique, Furquim Mendes, Guaporé, Morro do Campinho e Fubá.
- Baixada Fluminense: Lixão e Mangueirinha (Duque de Caxias); Ben 10, Inferninho, Grão Pará e Buraco do Boi (Nova Iguaçu); Sebinho (Mesquita); São Simão, Caixa D’água e Dom Bosco (Queimados); Lagoa do Sapo e São Jorge (Japeri).
- São Gonçalo: Jardim Catarina.
Além das toneladas de concreto e ferro, a operação também mirou o poder bélico das facções. Na Cidade Alta, em Cordovil, na Zona Norte, onde as ações foram iniciadas nesta quinta-feira, policiais do 16º BPM (Olaria) prenderam dois homens e, com eles, apreenderam dois fuzis calibre 5.56 mm durante cerco na Estrada do Porto Velho.
No Fubá, em Campinho, também na Zona Norte, criminosos foram flagrados tentando escapar por uma área de mata. Imagens aéreas registradas pelo Globocop, da TV Globo, mostraram uma fileira de homens armados com fuzis entrando no matagal, de forma coordenada, antes de se abrigarem em uma área de vegetação densa.
Avenida Brasil chegou a ser interditada após confronto no Complexo de Israel
O saldo operacional contrasta com o cenário de guerra vivenciado pelos cariocas nas primeiras horas do dia. Na Cidade Alta, onde ocorreram as prisões e apreensões, a polícia foi recebida a tiros por traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP). A região, conhecida como Complexo de Israel, é dominada pela facção, sob a chefia do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, vulgo Peixão.
Em retaliação à retirada das barricadas — consideradas as maiores encontradas até o momento —, criminosos incendiaram pneus e veículos, formando colunas de fumaça preta visíveis a quilômetros de distância. Por medida de segurança, a Polícia Militar chegou a interditar a Avenida Brasil, nos dois sentidos, por volta das 5h.
O fechamento da via expressa, que durou até às 8h, causou um efeito cascata no trânsito e no transporte público. O ramal Saracuruna da SuperVia operou com intervalos irregulares, estações do BRT Transbrasil ficaram lotadas e 17 escolas — 16 municipais e uma estadual — precisaram fechar as portas, deixando centenas de alunos sem aula.
Comunidades livres de barricadas, segundo o GSI
Segundo o coordenador da operação e secretário do GSI, Edu Guimarães, algumas áreas já estão consideradas “livres de barricadas”, como a Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio.
“É importante que a população participe ativamente desse monitoramento, principalmente a partir do Disque Denúncia, para garantir que essas barricadas não retornem. O canal está com um programa preparado para receber essas denúncias e repassar as informações imediatamente para a coordenação da operação”, afirmou durante entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).
O secretário da PM, Coronel Marcelo de Menezes, reforçou que a corporação segue atuando em conjunto com as demais forças de segurança do governo para remover as barricadas e conter o avanço das facções.
“A PM vem trabalhando de forma integrada com os outros órgãos, visando principalmente liberar as comunidades da opressão, e devolvendo esses locais aos verdadeiros donos, que é a população de bem que mora nas comunidades”, disse.






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