Banco Central decide Selic hoje com possível corte cauteloso devido à guerra

Mercado projeta redução moderada dos juros diante da guerra e da pressão do petróleo sobre a inflação

O Banco Central deve iniciar nesta quarta-feira o aguardado ciclo de cortes da taxa Selic, após nove meses mantendo os juros básicos em 15% ao ano. A expectativa predominante no mercado financeiro é de uma redução mais moderada, em meio às incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre o preço do petróleo.

Analistas passaram a projetar um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,75%, substituindo previsões anteriores de queda mais intensa, de 0,50 ponto percentual. A mudança reflete o aumento da volatilidade no cenário internacional e seus possíveis efeitos na inflação brasileira.

A taxa atual é a mais elevada desde julho de 2006 e tem sido alvo de críticas de setores produtivos e autoridades, que consideram o nível restritivo diante de uma inflação de 3,81% acumulada em 12 meses até fevereiro.

Copom já sinalizava início de flexibilização monetária

Na reunião de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) já havia indicado a possibilidade de iniciar a redução dos juros neste encontro. Na ocasião, o colegiado projetou que o IPCA deve atingir 3,2% no terceiro trimestre de 2027, dentro do horizonte de política monetária.

A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3,0%, com margem de tolerância que vai até 4,5%. A definição da Selic considera um horizonte de cerca de 18 meses, período necessário para que os efeitos da política monetária impactem a economia real.

Apesar da sinalização de corte, o BC deixou claro que pretende manter uma política restritiva para garantir a convergência da inflação à meta, destacando a necessidade de cautela na condução do ciclo.

Guerra no Oriente Médio aumenta incertezas

O agravamento do conflito no Oriente Médio elevou o nível de atenção do mercado e do próprio Banco Central. A alta do petróleo tem impacto direto sobre a inflação doméstica, especialmente por meio dos preços dos combustíveis.

Instituições financeiras revisaram suas projeções diante desse cenário. O ASA, por exemplo, passou a prever um corte menor, argumentando que a elevação da commodity pode pressionar a inflação tanto diretamente quanto por efeitos indiretos nas expectativas e preços administrados.

Segundo a instituição, a projeção do IPCA para o terceiro trimestre de 2027 pode subir de 3,2% para 3,6%, afastando-se do centro da meta e justificando uma abordagem mais gradual no início do ciclo de cortes.

Mercado aposta em corte de 0,25 ponto percentual

O Santander também avalia que a combinação entre o compromisso do BC e o cenário externo mais adverso deve resultar em um corte de 0,25 ponto percentual. Para a instituição, deixar de reduzir a taxa após a sinalização anterior poderia afetar a credibilidade da autoridade monetária.

Ao mesmo tempo, um corte mais agressivo perdeu força diante do choque de oferta provocado pelo petróleo, o que reforça uma postura mais conservadora neste momento inicial do ciclo.

A projeção do banco é que a Selic atinja 11,50% no primeiro semestre de 2027, considerando que os impactos inflacionários do conflito sejam temporários.

Cenário ainda permite ajustes na política monetária

Já a Warren Investimentos mantém a expectativa de um corte maior, de 0,50 ponto percentual, embora reconheça a possibilidade de uma decisão mais cautelosa por parte do Banco Central.

A avaliação é de que o nível atual da Selic é suficientemente restritivo, o que daria margem para ajustes ao longo do tempo, caso o cenário externo se deteriore.

Mesmo com a possível flexibilização, o Banco Central deve seguir adotando uma postura vigilante, condicionando os próximos passos à evolução da inflação e das expectativas econômicas.

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