Aumento de casos de sarampo faz Organização Pan-Americana convocar países para reforçar vacinação

Brasil mantém recertificação de área livre, mas enfrenta risco de casos importados diante da alta circulação do vírus

O aumento expressivo de casos de sarampo nas Américas levou a Organização Pan-Americana da Saúde a convocar os países da região a reforçarem as estratégias de imunização. A mobilização ocorre às vésperas da Semana de Vacinação nas Américas, que começa neste sábado (25) e segue até o dia 2 de maio, em um cenário de preocupação com a retomada da circulação do vírus.

Dados da organização indicam que, em 2025, foram registrados 14.767 casos da doença em 13 países, número quase 32 vezes maior que o observado no ano anterior. A tendência de crescimento se manteve em 2026: até 5 de abril, mais de 15,3 mil casos já haviam sido confirmados, superando o total do ano anterior.

O avanço da doença ocorre em meio à queda das coberturas vacinais, considerada um dos principais fatores para a reintrodução do vírus em diversos países da região.

Desafio da vacinação

Segundo o diretor da Opas, Jarbas Barbosa, o principal obstáculo não é a oferta de vacinas, mas o alcance da população ainda não imunizada. Ele aponta que a desinformação, a baixa percepção de risco e dificuldades de acesso aos serviços de saúde contribuíram para a redução das taxas de vacinação.

A meta estabelecida é garantir que pelo menos 95% da população receba duas doses do imunizante, patamar considerado necessário para interromper a transmissão da doença.

Perda de status sanitário

Em novembro de 2025, as Américas perderam o status de região livre da transmissão endêmica do sarampo, marco que havia sido alcançado após anos de esforços de vacinação.

No Brasil, o país mantém a recertificação obtida em 2024. O reconhecimento havia sido conquistado pela primeira vez em 2016, mas foi perdido em 2018, após a reintrodução do vírus e a ocorrência de surtos.

Risco de reintrodução no Brasil

Especialistas alertam que, mesmo com a certificação, o país permanece vulnerável à entrada de casos importados. O fluxo constante de pessoas entre países com circulação ativa do vírus aumenta o risco de novos surtos.

Para o médico Renato Kfouri, presidente da Câmara Técnica para a Eliminação do Sarampo do Ministério da Saúde, o cenário exige vigilância contínua. Segundo ele, manter a população vacinada é essencial para evitar que casos importados resultem em transmissão sustentada da doença no território nacional.

Situação atual e prevenção

Até o início de abril, o Brasil havia registrado dois casos de sarampo, ambos importados e concentrados na região Sudeste. No ano anterior, foram contabilizados 38 casos, também associados a infecções adquiridas fora do país.

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar e com maior risco em ambientes fechados. Os sintomas incluem febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas na pele.

O esquema vacinal prevê duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. A recomendação se estende a diferentes faixas etárias, com ajustes conforme o histórico vacinal.

As autoridades de saúde reforçam que a ampliação da cobertura vacinal e a vigilância epidemiológica são medidas essenciais para conter a disseminação do vírus e evitar o retorno de surtos de maior escala.

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