Aumento de casos de influenza: uso precoce do Tamiflu pode diminuir em 52% risco de hospitalização

Com avanço da Influenza e aumento das hospitalizações por SRAG, especialistas reforçam importância do tratamento nas primeiras 48 horas e da vacinação para conter casos graves

O avanço dos casos graves de gripe no Brasil tem preocupado autoridades de saúde e especialistas em doenças infecciosas. Dados recentes mostram um crescimento expressivo das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada à influenza, cenário que levou infectologistas a reforçarem a importância do diagnóstico precoce, da vacinação e do uso oportuno do antiviral oseltamivir, comercialmente conhecido como Tamiflu.

Até 16 de maio, o país registrou mais de 8 mil casos de SRAG provocados pela influenza, número cerca de 70% superior ao observado no mesmo período do ano anterior. O aumento acompanha a intensificação da circulação viral em diversas regiões e ocorre em meio a um cenário de alerta epidemiológico em praticamente todo o território nacional.

Segundo informações do Ministério da Saúde, apenas Rondônia não se encontra em situação de alerta, risco ou alto risco para SRAG. Em outras 20 unidades da federação, os indicadores apontam crescimento sustentado da doença. As internações relacionadas à Influenza A seguem avançando principalmente nos estados da Região Sul, além de São Paulo, Espírito Santo, Roraima e Tocantins.

O impacto da doença também aparece nos números nacionais de hospitalização. Até a última semana monitorada, foram contabilizadas 31.775 internações por SRAG com identificação de vírus respiratórios. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) respondeu por 43% dos casos, enquanto a influenza representou 23% e o rinovírus, 21%.

Entre os 1.210 óbitos associados a vírus respiratórios registrados no período, a influenza esteve relacionada a 57% das mortes.

Tratamento precoce faz diferença

Diante do aumento dos casos, especialistas destacam que o oseltamivir continua sendo uma das principais ferramentas para evitar a evolução da doença para quadros mais graves.

O medicamento apresenta melhores resultados quando iniciado nas primeiras 48 horas após o surgimento dos sintomas. Nessa fase, o antiviral pode reduzir a duração da infecção, diminuir complicações e reduzir significativamente a necessidade de internação.

O Ministério da Saúde recomenda o uso do medicamento para pacientes com maior risco de agravamento e também para casos de SRAG, mesmo quando ainda não há confirmação laboratorial da infecção.

Segundo o infectologista Antônio Carlos Bandeira, embora os protocolos priorizem grupos mais vulneráveis, o benefício do tratamento não se restringe apenas a esses pacientes.

De acordo com ele, idosos, gestantes, imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas estão entre os públicos considerados prioritários, mas a indicação formal do antiviral contempla qualquer pessoa diagnosticada com influenza, prática já adotada em diversos países.

Redução de hospitalizações e mortes

Estudos citados por especialistas apontam resultados expressivos associados ao uso do oseltamivir.

Segundo o infectologista André Siqueira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o tratamento está relacionado à redução de aproximadamente um dia na duração dos sintomas e à diminuição significativa das complicações provocadas pela doença.

Os dados reunidos por especialistas indicam:

• redução de cerca de um dia no período de sintomas;

• diminuição entre 40% e 50% das complicações leves em adultos;

• redução de 28% das complicações em grupos de maior risco;

• queda de 52% nas hospitalizações;

• redução de 18% da mortalidade entre idosos.

Além desses resultados, o Ministério da Saúde destaca que o antiviral pode reduzir em até 38% o risco de morte em pacientes acometidos pela influenza.

Os especialistas ressaltam, entretanto, que os benefícios tendem a diminuir quando o tratamento é iniciado tardiamente, sobretudo após o surgimento de complicações como pneumonia e insuficiência respiratória.

Por isso, a orientação é procurar atendimento médico logo nos primeiros sinais da doença, especialmente em pessoas pertencentes aos grupos mais vulneráveis.

Desafios na identificação da doença

Embora o diagnóstico seja importante para o monitoramento epidemiológico, especialistas apontam que os testes para identificação da influenza ainda não são realizados de forma ampla em todos os serviços de emergência.

Entre os fatores que dificultam a testagem estão questões orçamentárias, limitações operacionais e dificuldades relacionadas ao reembolso dos exames pelos planos de saúde.

Segundo André Siqueira, em muitos pacientes considerados de risco, o resultado do exame não altera a conduta médica, já que o uso do antiviral é recomendado mesmo sem confirmação laboratorial.

Por essa razão, a testagem costuma ser mais frequente em pacientes hospitalizados e em ações voltadas à vigilância epidemiológica.

Vacinação continua sendo a principal proteção

Apesar da importância do tratamento antiviral, especialistas e autoridades sanitárias reforçam que a vacinação permanece como a estratégia mais eficaz para reduzir casos graves, hospitalizações e mortes causadas pela influenza.

O Ministério da Saúde informa que mais de 26,4 milhões de doses da vacina já foram aplicadas em todo o país. Atualmente, a imunização é direcionada prioritariamente a grupos mais suscetíveis a complicações.

Entre eles estão crianças pequenas, idosos, gestantes, profissionais da saúde, pessoas com doenças crônicas e outros públicos definidos pelas autoridades sanitárias.

Além da vacinação, o governo federal informou ter distribuído mais de 615 mil testes RT-PCR para diagnóstico de vírus respiratórios aos estados brasileiros ao longo deste ano. Novas remessas poderão ser encaminhadas de acordo com a evolução do cenário epidemiológico.

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