Apenas em 2023, mais de 13 mil medidores de água no Rio de Janeiro foram roubados em diferentes regiões da cidade, com predominância das ações na Zona Norte da cidade, segundo dados da concessionária Águas do Rio, que administra a distribuição de água no município.
Os criminosos têm agido principalmente à noite, quando as ruas estão mais desertas, e parecem focar nos metais de algumas peças dos hidrômetros, especialmente os modelos mais antigos. O designer gráfico Leonardo Melo, morador do bairro Cachambi, na Zona Norte, destaca a frustração dos moradores: “É um enxuga gelo: coloca, tira. E esses objetos não têm nenhum valor comercial. Mas se roubaram, é porque descobriram que tem algum valor”, desabafa.
A concessionária Águas do Rio, que atende 31 municípios do estado, registrou esse crescente problema desde o início do ano, mas não possui dados comparativos de anos anteriores.
Muitos moradores acreditam que o aumento nos furtos está diretamente relacionado à mudança na localização dos hidrômetros. Antes, os medidores de água eram instalados em áreas internas das casas e condomínios, mas com a mudança para as calçadas, o acesso ficou mais fácil para os criminosos.
O aposentado Fabiano Pereira de Carvalho, também morador da Zona Norte, critica a decisão da concessionária de transferir os hidrômetros para fora dos imóveis: “A Águas do Rio tirou o nosso sistema, que era interno, dentro do prédio, para colocar fora do prédio. Eles puseram para fora, então ficou muito fácil para que as pessoas fiquem tirando. É uma coisa que tem que ser vista”, afirma.
A situação traz desafios para a segurança dos moradores e expõe a necessidade de medidas preventivas mais eficazes por parte da concessionária e das autoridades para combater esse novo tipo de crime na cidade.
A Águas do Rio afirmou que está intensificando o uso de novos modelos de hidrômetros, sem componentes metálicos, nem valor comercial, para desestimular os crimes, A empresa orienta, em caso de furto, que os consumidores comuniquem à concessionária e façam um boletim de ocorrência.
A Polícia Militar disse que está analisando os indicadores de violência para readequar as estratégias de segurança. A PM disse ainda que, em muitos casos, esse tipo de crime é praticado por pessoas em situação de vulnerabilidade e que é necessária uma atuação conjunta com outros órgãos do poder público.
A Polícia Civil afirmou que é importante que as pessoas registrem as ocorrências nas delegacias, para que os casos sejam investigados. A instituição disse que atua em parceria com a Secretaria de Ordem Pública (Seop) no combate à receptação.
Com informações do g1.





