O empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, ex-sócio do advogado Nelson Willians, foi interrogado nesta segunda-feira (6) na CPMI do INSS, em Brasília. A audiência, marcada por discussões acaloradas, exibição de um suposto “vídeo íntimo” e ataques entre deputados, seguiu o tom de confronto que tem caracterizado o colegiado.
Cavalcanti permaneceu em silêncio durante boa parte da sessão, recusando-se a responder às perguntas dos parlamentares. O deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), ao ter a palavra, pediu “coragem” ao depoente e, em seguida, exibiu um vídeo em que ele aparece debaixo de lençóis com Nelson Willians, insinuando se tratar de conteúdo pessoal.
Empresário evita falar sobre negócios
Questionado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (Podemos-MG), Cavalcanti afirmou que foi contratado por Willians em 2017 para aprimorar a governança do escritório e que rapidamente passou a ocupar cargos de destaque. Disse ainda que chamava o ex-sócio de “papi”, em alusão a uma relação de amizade e confiança. Apesar disso, evitou detalhar os negócios e declarou que todas as sociedades entre ambos estão sendo desfeitas.
Patrimônio de luxo e falta de memória
O comportamento evasivo irritou os deputados. Cavalcanti afirmou não lembrar o tamanho exato de seu patrimônio, mas admitiu possuir entre 21 e 23 veículos de luxo, incluindo Ferrari, Mercedes e motos, sem especificar valores. O relator considerou as respostas insatisfatórias e acusou o depoente de tentar “desconversar” sobre o envolvimento no esquema de fraudes no INSS.
Discussões e troca de acusações políticas
O clima ficou ainda mais tenso quando o deputado Chrisóstomo, exaltado, acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de ter ligação com o suposto esquema de desvio de recursos. Ele afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria tentado impedir as irregularidades, enquanto responsabilizou o PT pelo aumento do teto de gastos e pelos prejuízos. A fala gerou protestos do deputado Rogério Correia (PT-MG), que exigiu direito de resposta. Diante da negativa, reagiu: “Cita meu nome então, covarde!”.
Operação e bens apreendidos
Cavalcanti iniciou sua fala negando ser “laranja” ou “ocultador de veículos”. Segundo a Polícia Federal, ele teria transferido carros de luxo para um shopping em Brasília na véspera da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril, que investiga fraudes contra aposentados. Em setembro, a PF cumpriu novos mandados de busca e apreensão e confiscou uma Ferrari vermelha, uma réplica do carro de Fórmula 1 de Ayrton Senna, relógios de alto valor e dinheiro vivo.
Movimentações suspeitas
De acordo com membros da CPMI, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam movimentações financeiras consideradas suspeitas ligadas a Nelson Willians e às empresas em que Cavalcanti teve participação. O relatório final da comissão deve incluir novos pedidos de quebra de sigilo e aprofundar a investigação sobre o possível desvio de recursos do INSS.






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