A crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tem potencial de provocar maior desgaste eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na avaliação de quase metade dos entrevistados pela AtlasIntel. Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (17) mostra que 49,5% acreditam que a turbulência na Corte prejudica mais a candidatura do petista à Presidência da República.
O impacto sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na corrida presidencial, é considerado maior por 20,9% dos entrevistados. Outros 14,4% avaliam que a crise prejudica os dois candidatos na mesma proporção, enquanto 6,7% dizem que nenhum deles é afetado.
O resultado mede a percepção dos entrevistados sobre as consequências eleitorais da crise no STF. Os números, portanto, não significam que os eleitores atribuam a Lula ou a Flávio Bolsonaro responsabilidade pelos episódios que provocaram a turbulência no tribunal.
Crise no Supremo entra na disputa eleitoral
O levantamento foi realizado em meio à escalada das divergências no STF relacionadas às investigações do caso Banco Master. Na terça-feira (15), o tribunal realizou uma sessão para discutir uma questão de ordem envolvendo processos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
A análise foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino, sem uma decisão definitiva sobre a questão discutida pela Corte. O mérito das suspeitas investigadas não foi julgado na sessão.
A crise ganhou espaço também na campanha presidencial, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em uma eventual disputa de segundo turno. Na mesma rodada da AtlasIntel/Bloomberg, Flávio registra 47,2% das intenções de voto, contra 46,8% de Lula. A diferença está dentro da margem de erro de um ponto percentual.
Caso Master divide opinião dos entrevistados
Apesar de uma parcela maior dos entrevistados avaliar que a crise no STF prejudica eleitoralmente Lula, o cenário muda quando a pesquisa pergunta sobre quais grupos políticos estariam mais envolvidos nas suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Para 41,2% dos participantes, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) são os principais envolvidos no caso. O percentual representa crescimento de cinco pontos em relação ao levantamento realizado em junho.
Já 40,2% apontam aliados de Lula como os mais envolvidos, uma alta de 2,6 pontos percentuais na comparação com a medição anterior. A diferença entre os dois grupos é de apenas um ponto percentual.
Outros 13,8% dos entrevistados consideram que os diferentes campos políticos estão igualmente implicados. Para 3,4%, os principais envolvidos pertencem ao Centrão.
Os números mostram, assim, percepções distintas entre os entrevistados: enquanto há uma diferença expressiva sobre qual candidatura sofreria maior impacto eleitoral com a crise no Supremo, as respostas ficam praticamente divididas quando a pergunta trata da associação política com as suspeitas envolvendo o Banco Master.
Percepção sobre aliados de Bolsonaro cresce
A evolução dos levantamentos da AtlasIntel mostra uma mudança na percepção dos entrevistados sobre o caso Master. Em junho, 36% apontavam principalmente aliados de Bolsonaro como envolvidos nas irregularidades, percentual que agora chega a 41,2%.
No mesmo intervalo, a parcela que atribui maior envolvimento aos aliados de Lula passou de 37,6% para 40,2%. Com isso, os aliados de Bolsonaro aparecem numericamente à frente pela primeira vez nessa comparação recente.
A pesquisa, porém, mede a percepção dos entrevistados e não estabelece responsabilidade criminal dos grupos políticos citados. As investigações relacionadas ao Banco Master continuam em andamento.
Pesquisa ouviu 5.018 eleitores
A AtlasIntel ouviu 5.018 eleitores em todo o país entre os dias 11 e 16 de setembro, por meio de recrutamento digital. O levantamento foi realizado para a Bloomberg.
A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06221/2026.







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