Ataques violentos aumentam insegurança de brasileiros que vivem na Irlanda

Agressões e xenofobia elevam medo em comunidade imigrante

Brasileiros que vivem na Irlanda enfrentam um clima crescente de insegurança devido a ataques violentos e discursos xenofóbicos. Em 2024, pelo menos dez imigrantes buscaram apoio da embaixada brasileira após serem agredidos. Casos incluem o atropelamento de Alexandre Pinheiro e agressões a Alan José de Lima e Mateus Gonzales Serafim. Este último foi espancado por três homens que postaram o vídeo da violência em redes sociais.

A comunidade brasileira, que soma 58,5 mil pessoas e representa 4% dos imigrantes na Irlanda, enfrenta discriminação e dificuldades relacionadas à falta de fluência no idioma e à condição de estrangeiro. A busca por melhores condições de vida e aprendizado de inglês levou 78% dos brasileiros ao país nos últimos sete anos.

Crise habitacional e ação da extrema direita: ingredientes explosivos

A violência urbana e a atuação de gangues juvenis são motivos adicionais de preocupação. Jovens apelidados de “nanas”, que não estudam nem trabalham, atacam migrantes e turistas em bairros como Finglas, em Dublin. A empresária Rosely Silva, há 17 anos na Irlanda, afirma que passou a evitar andar sozinha à noite, e o entregador Edmar Salazar evita áreas consideradas perigosas.

Pesquisas mostram que a aceitação de imigrantes pelos irlandeses diminuiu nos últimos anos, especialmente após a crise de habitação, intensificada pelo crescimento populacional. Dados indicam que, entre 2015 e 2023, para cada novo imóvel entregue, 3,8 pessoas foram adicionadas à população, elevando preços de aluguéis e moradias.

Grupos radicais de extrema-direita exploram essas questões em discursos anti-imigração. A pesquisadora Pilar Luz Rodrigues aponta que o racismo na Irlanda se tornou mais explícito e violento, sendo utilizado em campanhas políticas.

Apesar de ações como reuniões com a polícia irlandesa para reforçar a segurança, apenas um caso de violência contra brasileiros resultou na prisão de um suspeito. A embaixada brasileira oferece suporte jurídico, psicológico e até programas de retorno voluntário às vítimas.

Com informações do g1

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