Três profissionais de imprensa, que preferiram não se identificar, registraram boletins de ocorrência relatando ameaças e constrangimentos por parte de apoiadores do ex-presidente. Segundo reportagem da revista CartaCapital, a onda de ataques começou após a divulgação de um vídeo nas redes sociais acusando os jornalistas de torcer pela morte de Bolsonaro.
Vídeo viralizou nas redes sociais
A gravação foi publicada pela militante bolsonarista Cris Mourão e ganhou grande repercussão nas redes sociais. No conteúdo, ela acusa repórteres que estavam no local de desejarem a morte do ex-presidente enquanto realizavam a cobertura jornalística.
A situação se agravou depois que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou o vídeo em seu perfil no Instagram, que possui mais de 8 milhões de seguidores. A publicação ampliou a repercussão e desencadeou uma nova onda de ataques virtuais e presenciais contra os profissionais.
Parlamentar também repercutiu acusação
O episódio ganhou ainda mais visibilidade quando o deputado federal Mário Frias (PL-SP) publicou em suas redes sociais um vídeo acusando jornalistas de desejarem a morte de Bolsonaro. A postagem acabou sendo deletada posteriormente.
No sábado (14), o compartilhamento do vídeo por Michelle Bolsonaro intensificou a mobilização de apoiadores, que passaram a hostilizar repórteres que trabalhavam nas proximidades do hospital em Brasília.
Entidades de imprensa cobram providências
Diante da escalada de intimidações, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal e a Federação Nacional dos Jornalistas acionaram a Secretaria de Segurança Pública e o Ministério Público. As entidades avaliam medidas jurídicas para evitar que episódios semelhantes se repitam.
Além das ameaças diretas aos profissionais, familiares também passaram a ser alvo de ataques nas redes sociais. O filho de um dos jornalistas, por exemplo, foi alvo de uma campanha de intimidação online.
Organizações condenam ataques à imprensa
A Associação Brasileira de Imprensa criticou o compartilhamento do vídeo pela ex-primeira-dama sem contestação às acusações feitas contra os jornalistas. A entidade afirmou que o episódio remete a situações de violência contra a imprensa registradas durante o governo Bolsonaro.
“O episódio remete ao período de 2019 a 2022, em que a violência contra jornalistas foi praticada e estimulada diretamente pelo próprio Bolsonaro, então presidente da República, por meio de diversos episódios de triste memória”, afirmou a ABI em nota.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo também se manifestou, afirmando ser “inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa”.
Em nota conjunta, Fenaj e o sindicato dos jornalistas do Distrito Federal pediram que as empresas de comunicação garantam segurança e apoio jurídico aos profissionais envolvidos na cobertura, além da possibilidade de afastamento do local caso os repórteres não se sintam seguros para continuar o trabalho.






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