Em meio às atividades voltadas ao mês das mulheres, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) realizou, na terça-feira (17), uma cerimônia para homenagear 25 torcedoras de diferentes clubes do estado.
A entrega de Moções de Aplausos ocorreu no plenário da Casa e reuniu representantes de torcidas organizadas e de entidades ligadas ao esporte e à defesa dos direitos das mulheres.
A iniciativa, proposta pela deputada Zeidan (PT), teve como foco reconhecer a participação feminina em espaços tradicionalmente ocupados por homens, como as arquibancadas e as torcidas organizadas.
Homenagem reúne clubes e entidades
A cerimônia contou com a presença de torcedoras de clubes como Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Madureira, Bangu e Maricá. Também participaram representantes de instituições públicas e organizações da sociedade civil, incluindo a Secretaria de Estado da Mulher, o Observatório do Futebol da Uerj, a Associação Nacional das Torcidas Organizadas e o Movimento Feminino de Arquibancada.
Durante o evento, foram destacadas iniciativas voltadas à promoção de políticas públicas e ao fortalecimento da presença feminina nos estádios. A deputada Zeidan (PT) ressaltou a importância do reconhecimento e afirmou que ainda há desafios para a plena participação das mulheres nesses espaços.
“Sabemos o quanto ainda é difícil ser mulher na arquibancada. Por isso essa homenagem é tão relevante. Acompanhamos as discussões em defesa das torcidas organizadas, do respeito no estádio e vamos solicitar mais avanços, como a criação da cartilha ‘O que é ser mulher na arquibancada’, além da inclusão dos dados de violência contra as mulheres nos relatórios do Observatório do Feminicídio. Trabalhos que devem ser elaborados pelas entidades, torcedoras, formando um grupo de trabalho”, disse.
Relatos e reivindicações
Representantes presentes também destacaram a importância da visibilidade e do reconhecimento institucional. Carolina Félix, da Secretaria de Estado da Mulher, comentou sobre a trajetória das torcedoras e as mudanças ao longo do tempo.
“Estamos orgulhosas de ver essa Casa cheia de mulheres com as suas fardas, a forma como chamamos as camisas de torcida organizada. Por muitos anos, fomos proibidas de usar essas camisas. A torcida organizada não é só o que mostram de errado. Somos a parte social, a alegria de ver o seu time do coração, comemorar o gol. Minha avó me apresentou o Flamengo, minha tia me levou para o estádio. Vamos defender o respeito às mulheres no estádio, ocupando o seu espaço”, afirmou.
Presença feminina nas arquibancadas
A participação feminina nas torcidas organizadas no Rio de Janeiro tem registros históricos. Em 1956, Dulce Rosalina se tornou a primeira mulher a liderar uma torcida organizada no país, ao assumir a Torcida Organizada do Vasco.
Sua atuação contribuiu para a consolidação de elementos que se tornaram característicos das arquibancadas, como baterias e o uso de papel picado. Em reconhecimento à sua trajetória, a Alerj realizou uma homenagem póstuma durante o evento, com a presença de representantes ligadas à torcida vascaína.
A cerimônia integra a agenda da Casa voltada à valorização da participação feminina em diferentes áreas da sociedade, com destaque para o esporte e a cultura das torcidas.






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