RICARDO BRUNO
As cisões internas do PSOL estão trazendo enormes turbulências à pre-candidatura de Marcelo Freixo à prefeitura do Rio. A postura pragmática, aliancista e responsável de Freixo deu-lhe competitividade na disputa, trouxe apoios importantes como o do PT e do PcdoB, mas desagradou enormemente setores mais radicais da legenda, que não abrem mão de práticas de autoconstrução ideológica. Ainda que isto possa inviabilizar a candidatura do partido à prefeitura da segunda maior capital do país. No rastro do racha interno, cresceram hoje as especulações de que Freixo poderia renunciar à candidatura. Ele nega. Garante que nada mudou.
Um dos núcleos de oposição a Freixo dentro do PSOL se abriga no MES – Movimento da Esquerda Socialista – do qual faz parte o deputado David Miranda, que semana passada se colocou também em disputa pela indicação da legenda. Somam-se na desconstrução da candidatura de Freixo os vereadores Babá e Renato Cinco, ambos críticos da aproximação com PT.
Há outro ingrediente a provocar ebulições no caldeirão psolista. A escolha de candidaturas às eleições municipais acontece em meio ao congresso nacional da legenda, palco de lutas fratricidas entre as correntes internas por nacos de poder. A mistura dos processos tensiona ainda mais os radicais que falam fundamentalmente para o público interno. Mas trazendo danos irreparáveis à candidatura mais competitiva do partido no País. Na ótica um tanto enviesada de tais lideranças, prevalece a disputa de espaços internos a qualquer entendimento que produza a unidade exigida para vencer o pleito.
As eleições em Porto Alegre também contaminaram os insurgentes do PSOL. Manuela Dávila (PCdoB) negociou com PT o cargo de vice de sua chapa, trazendo descontentamento em Luciana Genro, uma das principais lideranças do MES. O troco viria no anúncio de David Miranda de disputar com Freixo à indicação da legenda no Rio.
Os mais intolerantes tentam ainda atingir Freixo de modo absolutamente inaceitável, com viés um tanto machista, como se ele e sua esposa, a renomada roteirista Antônia Pellegrino, fossem um bloco indivisível de atitudes, olhares e visões de mundo. Antônia está produzindo um documentário sobre Marielle Franco em parceria com José Padilha – execrado pela esquerda por conta do famigerado O Mecanismo. A despeito de diferenças ideológicas, são dois profissionais consagrados, cuja produção cultural, de um e de outro, não pode e não deve ser misturada às posições inequívocas de Freixo de condenação ao golpe que resultou na deposição de Dilma Roussef. A intransigência, contudo, produz uma espécie de contrafação dos fatos, distorcendo a realidade, juntando Freixo e Padilha numa manipulação da informação que satisfaz os “puros” no processo autofágico de depuração ideológica.
Em resumo, Freixo padece da falta de unidade. Não da esquerda que, num movimento raro, fechou com sua candidatura. Falta-lhe unidade em sua própria legenda – o indômito PSOL.






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