Os primeiros anexos da delação do ex-secretário Edmar Santos, vazados para o RJ TV, não mostraram consistência. Fundamentam-se em conversas ocorridas na prisão envolvendo o delator e um policial, cujo nome não é revelado, que teria tentado obter informações sobre o provável conteúdo de sua colaboração. Segundo ainda o documento, o policial teria se identificado como amigo do Deputado Márcio Canela.
Na sequência do texto do anexo há uma sucessão de frases inconclusivas, sujeitos indeterminados, que não configuram até aqui ato improbo do parlamentar. Nem sequer provam o seu envolvimento direto nesta tentativa de obter informações sobre o arsenal de acusações do ex-secretário arrependido.
De uma delação esperam-se fatos objetivos, que permitam comprovação a partir das investigações. Dados que apontem consistentemente para algum tipo de pratica criminosa. O que até aqui começou a ser vazado não trouxe nada relevante, apenas um emaranhado de baixa suspeição sobre interesses na antecipação do conteúdo das denúncias do delator – que pode ter sido motivado até por simples curiosidade.
Cabe ao MPF provar as supostas ligações do referido policial com o deputado. E mais: mostrar que ele teria agido sob orientação do parlamentar. Neste caso, faria sentido a acusação.
Sem o desdobramento desta apuração, o vazamento inconsistente apenas lançou suspeições sobre Marcio Canela sem fato objetivo. Trouxe a publico a dúvida, com os estragos de imagem decorrentes, sem outros fatos que pudessem garantir ao menos verossimilhança a tal possibilidade.
O vazamento seletivo, em anexo relacionado a um parlamentar, parece cumprir apenas o objetivo de envolver a Alerj neste torvelinho de denúncias no momento em que o impeachment do governador volta à pauta. Sem, contudo, apresentar as provas que dariam sentido e nexo às acusações.
Certamente, o que foi divulgado é apenas um aperitivo dos fatos narrados por Edmar Santos. Um aperitivo insosso, que deverá ser sucedido por um cardápio mais consistente. A pièce de résistance deste bombástico menu acusatório ainda não foi revelada.
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As primeiras revelações da delação de Edmar são inconsistentes
Os primeiros anexos da delação do ex-secretário Edmar Santos, vazados para o RJ TV, não mostraram consistência. Fundamentam-se em conversas ocorridas na prisão envolvendo o delator e um policial, cujo nome não é revelado, que teria tentado obter informações sobre o provável conteúdo de sua colaboração. Segundo ainda o documento, o policial teria se identificado…






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