Ex-secretário de Saúde Edmar Santos, demitido por corrupção, terá que reembolsar R$ 400 mil recebidos ilegalmente. Ele continua com o salário da PM

O ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, ganhou ilegalmente R$ 400 mil dos cofres públicos. Foi o que apontou auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Os pagamentos foram feitos entre 2019 e 2020 por Secretaria de Saúde, Polícia Militar e Universidade do Estado do RJ (Uerj). Edmar Santos chegou a ser…

O ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, ganhou ilegalmente R$ 400 mil dos cofres públicos. Foi o que apontou auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Os pagamentos foram feitos entre 2019 e 2020 por Secretaria de Saúde, Polícia Militar e Universidade do Estado do RJ (Uerj).

Edmar Santos chegou a ser preso durante a pandemia da Covid, acusado de participar de um esquema de corrupção. Mesmo tendo confessado o desvio de dinheiro público, o ex-secretário de Saúde continua na folha de pagamento do governo.

Edmar era um dos principais responsáveis pelas ações de combate à pandemia no Rio. Enquanto o número de casos explodia e a população sofria com a falta de leitos, o secretário estadual de saúde foi acusado pelo Ministério Público de superfaturar a compra de medicamentos, testes rápidos e respiradores.

Exonerado do cargo, o ex-secretário fechou um acordo de delação premiada em 2020, admitiu o desvio de dinheiro público, e disse que o então governador Wilson Witzel também recebia propina.

Meses depois, Witzel sofreu impeachment, mas Edmar contina na folha de pagamento do estado até hoje. Ele é servidor concursado e tem duas matrículas: professor da Uerj e oficial médico da PM. Todo mês, ganha R$ 27 mil dos cofres públicos.

Em junho, o Conselho Regional de Medicina (Cremerj) decidiu pela cassação do registro de Edmar.

Já os processos disciplinares abertos pelo governo contra o ex-secretário – que poderiam resultar em demissão – até hoje não foram concluídos.

O Tribunal de Contas do Estado fez uma auditoria e concluiu que Edmar Santos não poderia ter acumulado tantos salários enquanto ocupava o cargo de secretário estadual de Saúde, entre janeiro de 2019 e maio de 2020.

Nesse período, por exemplo, Edmar não trabalhou um dia sequer para a polícia militar, mas ganhou a remuneração integral normalmente: no total, são quase R$ 300 mil.

O relatório destaca que a PM violou a legislação ao continuar com os depósitos na conta do então secretário. Dos cofres da Uerj, ainda ganhou ilegalmente o adicional de periculosidade.

O TCE afirma que, entre 2019 e 2020, ele só poderia ter acumulado o salário da Uerj – mesmo sem trabalhar na universidade – com 70% da remuneração de secretário de Saúde, mas não foi o que aconteceu. Agora, o tribunal cobra a devolução de R$ 406 mil pagos indevidamente pelo Governo do RJ.

Na semana passada, a GloboNews mostrou que Edmar foi apontado pela Secretaria de Saúde como um dos responsáveis pelo prejuízo de R$ 244 milhões com a construção de hospitais de campanha durante a pandemia.

Um levantamento revelou diversas irregularidades no contrato com a organização social Iabas. Dos 7 hospitais contratados, só dois foram inaugurados – e nunca funcionaram com capacidade total.

Enquanto acumula novas dívidas com o estado, Edmar pediu à PM afastamento. A nota oficial da corporação afirma que o motivo da licença é um tratamento de saúde.

Já um documento interno da Diretoria-Geral de Pessoal revela um outro pedido: passar duas semanas em Portugal.

Nota da PM: “A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que atualmente o agente está lotado na Diretoria Geral de Pessoal da Corporação e no presente momento se encontra em Licença para Tratamento de Saúde. Vale informar que o procedimento administrativo que poderá resultar na exclusão do referido policial dos quadros da Corporação ainda está em andamento e no momento está sobrestado, enquanto a Corporação aguarda por informações que constam no processo criminal que corre no Superior Tribunal Justiça. Com relação a possível irregularidade apontada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), a Corporação ainda não foi notificada sobre o fato”.

Com informações do G1.

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