O encontro do presidente Jair Bolsonaro com o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin, na tarde passada, foi antecedido, em poucas horas, pela entrada em cena de um personagem até então ausente do noticiário político: o Arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa. Ele esteve pela manhã no Palácio da Alvorada, disse a Bolsonaro que havia a necessidade de diálogo com a equipe de transição do presidente eleito, apelou pela pacificação do país e propôs que o Chefe do Governo se encontre com Lula.
A participação do Cardeal foi revelada e detalhada pelo Globo. Em reportagem de Gustavo Schmitt e Sérgio Roxo, o Globo relata que Dom Paulo fez um apelo a Bolsonaro pela pacificação do país.
A reportagem atribui a interlocutores a informação de que Bolsonaro sinalizou ao Arcebispo que era prematuro receber Lula, mas deu aval para uma conversa com Alckmin.
“O que quero é ajudar na reconciliação do país. Fui até o presidente e ele aparentava um certo abatimento, mas estava lúcido e tivemos uma conversa muito respeitosa. O presidente falou que o Alckmin viria e que estava disposto a recebê-lo. Mas ele que fez o gesto, não sei que grau de influência eu tive”, disse Dom Paulo ao Globo.
Ele contou aos jornalistas que atuou pela conciliação entre Bolsonaro e Lula após tomar conhecimento de uma entrevista em que Edinho Silva (PT), que é prefeito de Araraquara e foi coordenador de comunicação da campanha de Lula, pregava união dos divergentes e cogitava a possibilidade de uma foto dos dois líderes juntos. Dom Paulo telefonou a Edinho, com quem tem boa relação desde que foi bispo de São Carlos, no interior paulista, e se dispôs a ajudar na interlocução com Bolsonaro.
“Não posso negar que estou tentando dar uma contribuição discreta junto com o Edinho. O importante é promover uma transição democrática para o bem do povo”, disse dom Paulo ao Globo.
Edinho Silva, em declaração publicada em coluna do jornal RN, afirmou que Bolsonaro deveria repetir o gesto de Fernando Henrique Cardoso depois da eleição de 2002 e convidar Lula para um encontro em Brasília. Na avaliação de Edinho, a sinalização seria importante para trazer paz e estabilidade institucional ao país.
Já ao blog de Andreia Sadi no G1, Edinho disse que uma foto de Bolsonaro recebendo Lula será uma demonstração de que o Brasil tem uma democracia forte, com repercussão internacional.
“Isso demonstraria ao país uma transição adulta e madura, digna das grandes democracias do planeta. Essa foto já existiu na transição do FHC para Lula em 2003”.





