Apresentação de MC Poze no Teatro João Caetano volta a ser foco de discussão na Alerj

A oposição na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) reagiu a tentativa de cancelamento do show de MC Poze do Rodo por parte de deputados bolsonaristas. O artista foi contratado pela Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio (Funarj), dentro do projeto “Fim de Tarde”, para um evento no Teatro João Caetano, no próximo…

A oposição na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) reagiu a tentativa de cancelamento do show de MC Poze do Rodo por parte de deputados bolsonaristas. O artista foi contratado pela Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio (Funarj), dentro do projeto “Fim de Tarde”, para um evento no Teatro João Caetano, no próximo dia 22, a custo de R$ 40 mil. Nesta terça-feira (08/08), a deputada Dani Monteiro (Psol) usou o plenário para defender a apresentação do funkeiro e a valorização da cultura periférica.

“MC tem sim uma história controversa. Ele não nega que na sua juventude teve relação com o tráfico de drogas, com o crime organizado, mas que a música, a arte, a cultura mudaram a sua vida. O hip hop, o trap, o funk lhe deu a oportunidade de sair desse lugar. Uma das principais produções dele tem mais de duzentos milhões de visualizações no YouTube. Ele canta: “eu me sinto abençoado”. Ele reivindica Deus. Ele reivindica, sim, que a fé dele, que o trabalho duro mudou a realidade dele”, disse.

Na semana passada, Anderson Moraes (PL) disse ter enviado um ofício a pedindo à Funarj solicitando a suspensão do show, alegando justamente que ele faria apologia ao Comando Vermelho e ao tráfico de drogas. Caso não seja atendido, promete acionar até mesmo o governador Cláudio Castro. A deputada disse que também enviou um ofício à fundação, com a assinatura de 15 parlamentares, solicitando a manutenção do espetáculo sob a ótica da valorização da cultura da periferia que ajuda a recuperar jovens da criminalidade.

“Qualquer parlamentar deveria, sim, reivindicar a ressocialização de quem assumiu que cometeu erro com a sociedade e está disposto a pagar e fazer da sociedade um lugar melhor. A Mainstreet, produtora a qual Poze é vinculado, tem mais de setecentos milhões de visualizações por ano. Poze já tocou na final da Libertadores – foi em 2019 – e apresentou-se no Rock in Rio (2022). É um artista gigante. Ele é a voz da nossa geração. Eu, como jovem negra da favela, reivindico o Poze como alguém que canta a minha realidade. MC não é bandido. Que a arte salve muito mais vidas de jovens pretos e periféricos”, salientou Dani.

Em 2019, Poze chegou a ser preso durante um baile funk na cidade de Sorriso, em Mato Grosso. Ele foi detido por apologia ao crime, corrupção de menores e tráfico de drogas. Segundo a Polícia Militar, o evento teria sido produzido por uma organização criminosa. Na época, sua defesa alegou que o cantor não teve participação na realização e organização do evento. O novo ofício enviado a Funarj tem assinatura dos deputados Felipinho Ravis (Solidariedade), dos psolistas Professor Josemar, Flávio Serafini, Yuri e Renata Souza, dos petistas Renato Machado, Elika Takimoto, Carla Machado, Andrezinho Ceciliano, Verônica Lima e Marina do MST, Carlos Minc e Jari Oliveira, ambos do PSB, Dani Balbi (PCdoB) e Luiz Paulo (PSD).     

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