O encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi cercado por tensão, apreensão e incertezas até os minutos finais em Washington.
Desde o início da manhã de terça-feira, aliados do parlamentar brasileiro acompanhavam com preocupação a possibilidade de cancelamento da reunião na Casa Branca. Hospedado no hotel The Willard, a poucos quilômetros da sede do governo americano, Flávio permaneceu praticamente isolado ao lado do irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, e do influenciador Paulo Figueiredo.
O principal temor do grupo era que mudanças de última hora provocadas pela agenda internacional dos Estados Unidos, especialmente diante das negociações envolvendo o Irã, derrubassem o encontro já próximo do horário marcado.
Até o começo da tarde, o nome de Flávio sequer aparecia nos compromissos oficiais divulgados pela Casa Branca, aumentando o desconforto entre os integrantes da comitiva brasileira.
Camisa da Seleção acabou retida pela segurança
Nos bastidores, aliados chegaram a discutir o desgaste político que o senador enfrentaria caso retornasse ao Brasil sem conseguir a foto ao lado de Trump, considerada estratégica para fortalecer sua imagem dentro da direita conservadora.
A confirmação definitiva da reunião só aconteceu após novos contatos feitos por interlocutores ligados ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. A articulação contou com integrantes do entorno republicano próximo de Rubio e também com a rede de contatos construída por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Ao chegar para o encontro, Flávio levava uma camisa da Seleção Brasileira como presente para Trump. O gesto, porém, acabou se transformando em um dos episódios mais comentados dos bastidores da visita.
A peça foi barrada temporariamente pela segurança da Casa Branca para procedimentos de inspeção e não pôde ser entregue diretamente ao presidente americano durante a reunião. Auxiliares afirmaram que a camisa deverá ser liberada posteriormente.
Eduardo entrou rapidamente e deixou a sala
Segundo relatos de integrantes da comitiva, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo participaram apenas rapidamente do encontro. Os dois entraram, cumprimentaram Trump e deixaram a sala poucos minutos depois.
A estratégia política do grupo era garantir que a reunião tivesse aparência de encontro institucional e presidencial, concentrando o protagonismo exclusivamente em Flávio Bolsonaro.
Já acomodado diante do presidente americano, o senador ouviu Trump perguntar logo nos primeiros minutos sobre a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O republicano quis saber detalhes sobre a prisão domiciliar do ex-presidente brasileiro e perguntou como a família estava enfrentando o momento político e jurídico vivido no Brasil.
Moeda simbólica foi tratada como gesto político
Durante a conversa, Flávio transmitiu um abraço do pai ao presidente americano. O encontro durou cerca de 1h40 dentro da Casa Branca.
Ao final da reunião, Trump entregou ao senador uma “challenge coin”, tradicional moeda simbólica oferecida por presidentes americanos a aliados políticos, militares e convidados especiais.
Nos bastidores, integrantes do PL trataram o gesto como um sinal político importante da aproximação entre o bolsonarismo e o trumpismo.
Após o encontro, o estrategista republicano Jason Miller, aliado de Trump e próximo de Eduardo Bolsonaro, apareceu rapidamente durante a coletiva concedida pelo senador brasileiro e cumprimentou Flávio diante da imprensa.





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