Após polêmica, Janja não entra na Sapucaí, fica com Lula em camarote e é substituída por Fafá de Belém

rimeira-dama seria destaque em carro que homenageia Lula, mas desistiu em meio a questionamentos na Justiça Eleitoral e pressão interna

A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, não entrou na Avenida durante o desfile da Acadêmicos de Niterói neste domingo (15), no Sambódromo do Rio. Ela estava prevista para integrar o último carro alegórico da escola, que levou para a Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Janja acabou sendo substituída pela cantora Fafá de Belém. No mesmo carro estavam artistas como Paulo Betti, Bete Mendes, Chico Diaz e Júlia Lemmertz.

Pressão interna e receio jurídico

A eventual participação da primeira-dama gerou desconforto dentro do próprio governo. Ministros defenderam que Janja desistisse da aparição no carro alegórico, avaliando que sua presença poderia abrir margem para questionamentos na Justiça Eleitoral e atingir o presidente.

Além do risco jurídico, integrantes do governo manifestaram preocupação com o impacto na opinião pública. Havia receio de que a imagem da primeira-dama desfilando em uma escola que homenageava Lula pudesse reforçar críticas da oposição e ampliar resistências, especialmente entre eleitores evangélicos, segmento considerado mais sensível à exposição política em eventos festivos.

Confirmação prévia e referências no enredo

Mais cedo, a participação de Janja havia sido confirmada oficialmente pela escola. Seu nome constava no livro Abre-Alas da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, entidade responsável pela organização dos desfiles do Grupo Especial.

De acordo com o material, a primeira-dama estaria no carro intitulado “Vale uma nação, vale um grande enredo”, alegoria que faz referências à arquitetura de Brasília e traz como destaque uma escultura do presidente.

O desfile também incluiu menção direta a Janja na ala 24, aberta pelo trompetista Fabiano Leitão, que carregava um estandarte com a inscrição “Solte sua Janja!”.

Caso tivesse participado, ela se tornaria a primeira anfitriã do Palácio da Alvorada a desfilar por uma escola de samba do Rio de Janeiro.

Questionamentos na Justiça Eleitoral

A homenagem a Lula foi alvo de ações movidas por partidos de oposição, sob o argumento de que poderia configurar propaganda eleitoral antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou os pedidos para suspender o desfile.

Durante o julgamento, a ministra Cármen Lúcia alertou que a exposição poderia, em tese, caracterizar promoção pessoal com efeitos eleitorais, prática vedada pela legislação. Apesar disso, a Corte entendeu que impedir previamente a apresentação da escola configuraria censura.

A decisão de Janja de não desfilar ocorreu nesse contexto de tensão política e jurídica, em meio a um enredo que já vinha sendo acompanhado de perto por adversários do governo.

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