Após novas ameaças de Trump ao Irã, preço do petróleo dispara e passa de US$ 111

Escalada no Oriente Médio eleva temor sobre abastecimento mundial de energia, pressiona inflação e amplia cautela nos mercados financeiros

O preço internacional do petróleo voltou a disparar nesta segunda-feira (18) em meio ao agravamento da tensão no Oriente Médio e ao temor de uma interrupção prolongada no fluxo global de energia. A escalada ocorreu após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito envolvendo o Irã e Israel.

A valorização da commodity foi impulsionada pela percepção de que as negociações diplomáticas entre Washington e Teerã permanecem travadas, enquanto aumentam os riscos de uma ampliação do conflito na região.

O barril do petróleo Brent, referência internacional do mercado, subiu 1,9% e atingiu US$ 111,31, equivalente a cerca de R$ 563,76. O movimento amplia a forte sequência de altas registrada desde o fim de fevereiro, quando o barril era negociado na faixa de US$ 70 antes da intensificação da guerra envolvendo o Irã.

Nos Estados Unidos, o petróleo WTI avançou 2,3%, alcançando US$ 107,83 por barril, cerca de R$ 546,13.

Nas primeiras horas do dia, os contratos futuros já indicavam continuidade da pressão nos preços. Por volta das 7h17, o Brent subia 0,91%, cotado a US$ 110,25, enquanto o WTI avançava 1,26%, chegando a US$ 102,29 por barril.

Declarações de Trump elevam tensão

A reação dos mercados ocorreu após Donald Trump publicar uma mensagem em rede social logo depois de conversar com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Na postagem, Trump afirmou que o Irã precisa agir rapidamente “ou não sobrará nada deles”.

A declaração ampliou a preocupação dos investidores sobre uma possível escalada militar e sobre os impactos no abastecimento global de petróleo.

O mercado acompanha com cautela a situação no Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas de transporte de petróleo do planeta. A região permanece majoritariamente fechada em meio ao conflito.

Além disso, os Estados Unidos mantêm desde o mês passado um bloqueio marítimo aos portos iranianos, aumentando as incertezas sobre o fluxo internacional da commodity.

O cenário piorou após um ataque de drone atingir uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos durante o fim de semana, elevando os temores de ampliação do conflito para outros países da região.

Mercado teme nova escalada

Analistas internacionais apontam que a combinação entre impasse diplomático e ameaça ao fornecimento global de energia tem pressionado fortemente os preços.

“Os riscos de uma nova escalada estão aumentando”, escreveram Warren Patterson e Ewa Manthey, estrategistas de commodities do banco ING.

Segundo os analistas, a reação do mercado também demonstra frustração com a ausência de avanços concretos após a reunião entre Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping em Pequim.

Embora a Casa Branca tenha informado que ambos concordam sobre a necessidade de reabertura do Estreito de Ormuz, ainda não há clareza sobre como a China poderá atuar para pressionar o Irã.

Pequim indicou que “gostaria de ajudar”, mas o mercado segue sem sinais concretos de distensão.

Bolsas globais recuam

A disparada do petróleo também provocou forte pressão sobre os mercados financeiros internacionais, diante do receio de aceleração da inflação global e aumento dos custos de energia.

Na Ásia, os principais índices acionários encerraram o pregão em queda.

O índice Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, recuou 0,9%, fechando aos 60.843,09 pontos.

Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,6%, encerrando o dia aos 25.543,32 pontos.

Já o índice composto de Xangai perdeu 0,1%, pressionado também pelos dados considerados fracos do varejo chinês em abril.

Na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 1,4%.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros também operavam em baixa superior a 0,6% após as perdas registradas na sexta-feira pelos principais índices de Wall Street.

O S&P 500 caiu 1,2%, o Dow Jones recuou 1,1% e o Nasdaq perdeu 1,5%.

Inflação e juros sob pressão

A alta do petróleo também reforçou as expectativas de aumento da inflação global, pressionando os mercados de títulos públicos.

Nos Estados Unidos, o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos subiu para cerca de 4,63%, nível bem acima dos quase 4% observados antes do início da guerra.

No Japão, os rendimentos dos títulos públicos de dez anos atingiram 2,8%, o maior patamar desde o fim da década de 1990.

O movimento reflete tanto o avanço das expectativas inflacionárias quanto a trajetória gradual de aumento dos juros promovida pelo Banco do Japão.

No mercado cambial, o dólar americano ganhou força diante do iene japonês, alcançando 159,02 ienes.

O euro operava em leve alta frente à moeda americana, cotado a US$ 1,1626.

Temor sobre energia e economia

A disparada do petróleo aumenta as preocupações sobre os impactos econômicos globais da guerra no Oriente Médio. Analistas avaliam que, caso a tensão continue crescendo, os preços dos combustíveis poderão pressionar ainda mais a inflação em diversas economias.

Além disso, o encarecimento da energia tende a afetar cadeias produtivas, custos de transporte e políticas monetárias de grandes bancos centrais ao redor do mundo.

O mercado agora acompanha os próximos movimentos diplomáticos envolvendo Estados Unidos, Irã, Israel e China, enquanto investidores seguem atentos ao risco de interrupções mais severas no fornecimento global de petróleo.

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