Apoiadores de Marçal criticam ex-coach por sabatina com Boulos: “vergonha”

Derrotado no 1º turno, influencer promove nas redes entrevista com os dois rivais, mas só psolista confirmou presença

A ideia do candidato derrotado à prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (PRTB) promover uma live com ares de “sabatina” eleitoral com o rival Guilherme Boulos (PSOL) na próxima sexta-feira (24) pode ter saído pela culatra, informa o blog de Malu Gaspar, no jornal O GLOBO. Desde que o ex-coach anunciou o evento, seus apoiadores inundaram as redes sociais de comentários negativos de apoiadores que se mostraram frustrados com a visibilidade dada a um candidato da esquerda. A reação forçou Marçal a justificar a iniciativa como uma “batalha”.

A sabatina, ou “ entrevista de emprego”, como tem sido chamada a transmissão pelo ex-candidato, foi anunciada na quarta-feira (23). Apenas Boulos confirmou presença, embora Marçal tenha divulgado nesta quinta uma arte que inclui o prefeito Ricardo Nunes, do MDB (veja abaixo), cuja assessoria já descartou sua participação no evento.

Arte promocional de 'sabatina' organizada por Pablo Marçal (PRTB) com Guilherme Boulos (PSOL); Ricardo Nunes (MDB) não confirmou presença — Foto: Reprodução
Arte promocional de ‘sabatina’ organizada por Pablo Marçal (PRTB) com Guilherme Boulos (PSOL); Ricardo Nunes (MDB) não confirmou presença — Foto: Reprodução

Com um capital político de 1,7 milhão de votos e 5,6 milhões de seguidores no Instagram, o ex-coach está sendo cobrado pela projeção que dará a Boulos, que tem feito diversos acenos aos eleitores que votaram no candidato do PRTB, nesta reta final.

“Que papelão vergonhoso, muito ego, está totalmente perdido e carente de atenção, [eu] o acompanhava e admirava posturas anteriores, mas está afundado em vaidade desde antes do laudo falso”, escreveu um apoiador de Marçal na publicação que confirmou o horário da sabatina.

“Como seu seguidor e tendo você como mentor estou achando desnecessário”, respondeu outro. “Dando palco para o Boules. Que vergonha!”, comentou um terceiro seguidor seguido de emojis de vômitos.

Houve até críticas em relação ao tratamento dado ao psolista. Em um vídeo gravado no Coliseu de Roma – o ex-coach está na Europa e fará a sabatina remotamente –, Marçal se referiu ao rival pelo primeiro nome, o que pode ser interpretado como sinal de intimidade, e chamou o atual prefeito apenas pelo sobrenome.

“Chamando o Boulos de Guilherme… Agora só falta tapinha nas costas e chamá-lo de mano”, ironizou um perfil no Instagram.

Ironicamente, Marçal afirmou à equipe da reportagem na última quarta-feira que propôs a sabatina por ter sido “muito cobrado” pelos seus eleitores. Mas, diante da pressão, buscou meios para justificar a ideia.

Em um post que reproduz uma matéria do blog na qual o ex-coach definiu a live como uma “entrevista de emprego”, Marçal buscou se distanciar de Boulos.

“Amigos, vou sabatinar os dois como numa entrevista de emprego. Quero contribuir com o eleitorado”, escreveu. “Jamais votarei em Boulos!!! Vou fazer perguntas profissionais para os dois”.

Mas não adiantou.

“Menos Marçal. Você se perdeu em si. Perdeu para você mesmo. Reveja suas posturas. E se recomponha. (De um fã seu). Abraços”, postou um seguidor de direita.

“Se é vingança contra a falta de apoio do [governador] Tarcísio [de Freitas] e Bolsonaro a você, nós, paulistanos, pagaremos um preço muito alto”, lamentou outro.

“Vacilo”, “Doria 2.0”, “picareta” e “decepção” foram outros termos usados no Instagram. São dezenas de posts críticos à iniciativa do ex-coach.

Transferência de votos

Três dias após os resultados no primeiro turno, no qual Marçal acabou em terceiro lugar, ele deu uma entrevista em que afirmou que “liberava” seus eleitores para votar em quem quisessem.

“Libero os 1.719.024 cidadãos paulistanos que confiaram na minha candidatura para votarem de acordo com suas convicções, princípios e ideologias”, disse o candidato derrotado, em uma nota divulgada na ocasião. “A arrogância precede a queda […] Infelizmente, entrei nessa eleição para evitar a vitória de Guilherme Boulos, e agora, lamento dizer, essa previsão se tornou uma certeza”.

Mas a última pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (24) indica que 74% dos eleitores que apoiaram Marçal no 1º turno votarão em Nunes, e apenas 11% no psolista – embora o candidato apoiado pelo presidente Lula tenha oscilado positivamente três pontos percentuais neste segmento.

Apesar das críticas nas redes sociais, a “sabatina” com Boulos pode não render apenas desgaste ao ex-candidato do PRTB. Sem o formato de uma entrevista conduzida por um veículo de imprensa tradicional, com regras pré-estabelecidas, o candidato estará em um terreno desconhecido, ainda que o rival se coloque como um “mediador” da conversa.

Além disso, a livre deverá render a Marçal os recortes para as redes sociais que marcaram sua campanha para a prefeitura – e dificilmente de forma favorável a Boulos.

O ex-coach já declarou que não disputará novamente o comando da capital paulista e indicou o ex-coordenador de sua campanha Felipe Sabará como o candidato de seu grupo político em 2028. Nas redes sociais, Marçal tem acenando com uma possível candidatura à presidência ou ao Palácio dos Bandeirantes em 2026.

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