Anvisa aprova medicamento oral para tratar câncer no cérebro

O remédio bloqueia o crescimento de células tumorais e representa um avanço inédito no tratamento de alguns gliomas — tumores que afetam o cérebro ou a medula espinhal.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na segunda-feira (11), o uso do vorasidenibe, comercializado como Voranigo®, primeiro medicamento oral de uso diário indicado para tratar certos tipos de câncer no cérebro. Fabricado pela farmacêutica francesa Servier, o remédio bloqueia o crescimento de células tumorais e representa um avanço inédito no tratamento de alguns gliomas — tumores que afetam o cérebro ou a medula espinhal.

Até então, as opções disponíveis eram limitadas a cirurgia, radioterapia e quimioterapia. O Voranigo é recomendado para pacientes a partir de 12 anos com gliomas difusos de baixo grau (grau 2), como astrocitomas ou oligodendrogliomas, que apresentem mutações nas enzimas IDH1 ou IDH2, já tenham passado por cirurgia e não tenham indicação imediata para rádio ou quimioterapia.

O medicamento atua bloqueando as enzimas mutadas IDH1 e IDH2, que produzem substâncias responsáveis por estimular o crescimento do tumor. A aprovação pela Anvisa se baseou em resultados de ensaios clínicos que mostraram redução de 61% no risco de progressão da doença, com atraso no crescimento tumoral, diminuição do volume e preservação da qualidade de vida.

Fernando Maluf, oncologista, considera a aprovação o maior avanço na área em duas décadas. “Esses tumores de baixo grau atingem principalmente jovens e, até agora, só contávamos com rádio e quimio. Essa nova alternativa pode evitar cirurgias e terapias mais agressivas”, disse.

Acesso pode demorar
Especialistas alertam que a disponibilidade do Voranigo para a população não será imediata. No setor privado, a incorporação ao rol obrigatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ainda precisará ser avaliada, o que pode obrigar pacientes a recorrer à Justiça para obtê-lo.

No Sistema Único de Saúde (SUS), o processo passa pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias), que analisa eficácia, segurança, indicação e preço, além de realizar consultas públicas. “Sendo um medicamento novo e de alto custo, a recomendação pode levar bastante tempo”, afirma Gustavo Schvartsman, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

O preço do medicamento também ainda será definido. Por ser de uso oral, a cobertura pelos planos de saúde dependerá das regras individuais de cada operadora, diferente de medicamentos injetáveis, que têm cobertura obrigatória.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading