O presidente do conselho de administração do BTG Pactual, André Esteves, afirmou neste sábado que o próximo presidente da República encontrará um Brasil “arrumadinho” e “fácil de resolver” do ponto de vista econômico.
A declaração foi feita durante participação no Fórum Esfera, evento que reuniu também o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Aloizio Mercadante, e o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas.
Segundo Esteves, o país não precisaria de cortes profundos nem do fim de programas sociais para melhorar o cenário econômico. Para ele, algumas medidas simples de controle do crescimento dos gastos públicos seriam suficientes para gerar maior confiança fiscal e reduzir os juros no país.
Juros poderiam cair
Durante o painel, André Esteves afirmou que três ou quatro medidas voltadas à contenção de despesas públicas poderiam fazer os juros brasileiros caírem para patamares entre 7% e 8%.
O banqueiro comparou a situação atual do Brasil aos períodos em que Fernando Henrique Cardoso assumiu o governo em 1994 e Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu primeiro mandato em 2002.
Segundo ele, naquela época o país enfrentava cenários muito mais graves, marcados por hiperinflação, desemprego elevado, ausência de reservas internacionais e crises bancárias.
Na visão do executivo, o atual contexto econômico brasileiro é significativamente mais estável e administrável.
Alerta sobre crime organizado
Apesar do otimismo econômico, André Esteves demonstrou preocupação com questões institucionais e de segurança pública.
Segundo ele, o principal risco para o futuro do país está no avanço do crime organizado, das milícias e da informalidade econômica. “A economia está moleza de resolver. Agora, essa guerra do Brasil institucional com o Brasil não institucional, essa a gente não pode perder aqui”, declarou.
Caso Banco Master
André Esteves também comentou a crise envolvendo o Banco Master e voltou a negar falhas por parte do BTG Pactual no episódio.
Segundo ele, o banco agiu corretamente ao perceber que a situação poderia sair do controle.
O executivo afirmou que “não houve erro nenhum no BTG” e declarou que a instituição procurou se posicionar assim que identificou sinais de risco no cenário envolvendo o Master.
Mercadante critica fiscalização
Durante o mesmo evento, Aloizio Mercadante atribuiu responsabilidade à antiga direção do Banco Central do Brasil pelo crescimento do Banco Master.
Segundo o presidente do BNDES, houve “omissão e conivência” das autoridades reguladoras anteriores.
Mercadante afirmou que a gestão do ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn não havia autorizado inicialmente a compra do Banco Master nem a ascensão de Daniel Vorcaro como figura relevante do sistema financeiro.
O dirigente também defendeu mudanças estruturais na Comissão de Valores Mobiliários e no Banco Central:
Segundo ele, é necessário fortalecer carreiras técnicas e ampliar a capacidade de fiscalização dessas instituições para evitar novos problemas no sistema financeiro.
“Primeiro, tem que pagar bem servidor público, tem que ter carreira, tem que ser valorizado. Eu proponho uma coisa simples. Pega a carreira do BNDES põe no Banco Central e na CVM. Eu quero ver se essas coisas acontecem. Não acontece. Você dá autonomia, você dá poder e tem que empoderar o Banco Central a CVM”, afirmou.
Risco em fundos de investimento
Mercadante afirmou ainda que os fundos de investimento podem representar o próximo grande problema do mercado financeiro brasileiro.
Na avaliação do presidente do BNDES, casos recentes envolvendo instituições financeiras seriam apenas o início de uma crise maior.
Ele citou o caso da Reag e afirmou que o episódio seria apenas a “ponta do iceberg” dentro do mercado financeiro nacional.
Debate econômico e político
As declarações ocorreram em meio às discussões sobre sucessão presidencial, juros elevados, equilíbrio fiscal e fortalecimento das instituições reguladoras do país.
O Fórum Esfera reuniu representantes do setor financeiro, integrantes do governo e autoridades públicas para discutir perspectivas econômicas e políticas para os próximos anos.





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