Americanas: ex-CEO afirma que Sicupira sabia de tudo e culpa acionistas pela fraude contábil

 Suspeito de ter acobertado uma fraude de R$ 20 bilhões nas contas da Americanas, o ex-CEO da empresa Miguel Gutierrez prestou declarações por meio de seus advogados no processo em que o Banco Bradesco procura antecipar a produção de provas sobre o que houve na varejista. E o que ele conta envolve pela primeira vez…

 Suspeito de ter acobertado uma fraude de R$ 20 bilhões nas contas da Americanas, o ex-CEO da empresa Miguel Gutierrez prestou declarações por meio de seus advogados no processo em que o Banco Bradesco procura antecipar a produção de provas sobre o que houve na varejista. E o que ele conta envolve pela primeira vez um dos acionistas: Carlos Alberto Sicupira. 

Em documentos apresentados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), a Americanas conta outra versão: a de que sua antiga diretoria estaria por trás das fraudes.

“Com a reestruturação de 2018, portanto, meu papel deixou de ser o de um CEO tradicional (que comanda diretamente os responsáveis pelas áreas gerenciais) e passou a ser o de um diretor responsável por questões mais estratégicas e de coordenação geral dos negócios”, afirmou Gutierrez, em declaração endereçada ao desembargador Ricardo Negrão, da 2.ª Câmara de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O ex-executivo da Americanas, que ocupou a presidência por quase 20 anos, afirma ainda: “Em 2019, o sr. Carlos Alberto Sicupira comunica sua decisão pelo meu desligamento completo da empresa a partir de final de 2021, atribuindo a mim a missão de trabalhar na minha sucessão, mediante identificação e treinamento de um novo CEO”. 

Segundo Gutierrez, esse processo sofreu atraso de um ano por conta da pandemia da covid-19.

O executivo nega que tivesse conhecimento das fraudes e afirma que o problema principal da empresa foi esconder sua situação financeira.

Ainda no depoimento, Gutierrez diz: “Durante meus mandatos em qualquer das companhias, jamais me foi relatado nenhum problema contábil”. 

“Obviamente, não compete a um CEO de nenhuma companhia no mundo a realização de sua escrituração contábil.”

Ao atribuir responsabilidades, ele afirma no depoimento que a empresa até conseguiria obter recursos no mercado, mas isso afetaria os acionistas. “A companhia provavelmente teria acesso a investidores (sobretudo estrangeiros), mas uma capitalização no patamar de R$ 8/10 bilhões, com uma empresa que valia R$ 8,8 bilhões, levaria a uma diluição importante dos controladores e demais acionistas, caso não acompanhassem a ampliação.”

Gutierrez passa a contar que Paulo Lemann (filho de Jorge Paulo Lemann, outro acionista da Americanas), Sicupira e Sergio Rial (que assumiu oficialmente a Americanas em 2 de janeiro, e divulgou a existência de “inconsistências contábeis” no dia 11) saberiam da situação da empresa.

(Com informações do Estadão)

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