O atual CEO da Americanas, Leonardo Coelho, disse ontem que troca de e-mails entre os auditores da KPMG e a diretoria da Americanas, exposta em documentos, indicariam a intenção de amenizar os termos da carta entregue pela auditoria ao conselho de administração sobre as condições financeiras da varejista.
“Aconteceram trocas entre a KPMG e a diretoria para amenizar a carta”, afirmou ele, sobre os documentos submetidos à CPI da Americanas, em sessão ontem na Câmara dos Deputados. A sessão foi realizada no mesmo dia em que a empresa admitiu a existência de fraude e acusou antigos diretores e executivos.
Sobre outros e-mails trocados, dessa vez entre a PwC e a diretoria, Coelho disse que o documento carece de contexto, mas que poderia indicar que a auditoria teria feito sugestões de como redigir questões ligadas a operações do chamado risco sacado, de forma que as operações não ficassem tão claras.
Outro documento apresentado por Coelho mostra o exdiretor José Timótheo de Barros perguntando a um colega de diretoria: “Como estamos com bancos para retirar das cartas a informação das operações com fornecedores, vida/morte para nós?”
Quanto ao suposto envolvimento do conselho de administração e dos chamados acionistas de referência da companhia – Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira – , Coelho afirmou não haver provas. Coelho disse ainda que os resultados inflados da companhia geraram pagamento de dividendo aos acionistas, inclusive os de referência, além de bônus à diretoria da companhia e pagamento de tributos à União.
Porém, ele detalhou que, ao longo de 10 anos, o trio de investidores recebeu cerca de R$ 750 milhões em dividendos, mas que aportou na empresa, nos últimos anos, R$ 2,3 bilhões.
Além dos documentos que mostram trocas de informações entre empresas de auditoria e a diretoria da Americanas, Coelho apresentou à CPI interações entre bancos e a diretoria. “Documentos mostram que bancos aceitaram suavizar redação das cartas.”





