As ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Groenlândia colocaram a Europa diante de um cenário considerado histórico. Pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, líderes europeus admitem publicamente a possibilidade de um confronto entre países aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
A França confirmou que trabalha em conjunto com Alemanha e Polônia na elaboração de um plano de resposta caso os Estados Unidos avancem militarmente sobre o território dinamarquês. O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que qualquer reação deve ser coordenada, coletiva e conduzida no âmbito europeu.
No Parlamento da Dinamarca, a deputada groenlandesa Aaja Chemnitz declarou que a Groenlândia não está à venda. Segundo ela, tratar a ilha apenas como um ativo geopolítico desconsidera a vontade e os direitos de sua população.
Em uma rede social, Trump voltou a criticar a Otan, embora tenha afirmado que continuará apoiando a aliança militar. Em Washington, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que todo presidente mantém a opção militar diante de ameaças à segurança nacional, ainda que priorize soluções diplomáticas. Rubio confirmou que deve se reunir com autoridades dinamarquesas.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a equipe de Trump discute formas de adquirir a Groenlândia e lembrou que o interesse americano pela ilha remonta ao século 19, quando os Estados Unidos compraram o Alasca da Rússia.
Durante a Segunda Guerra Mundial, após a ocupação da Dinamarca pela Alemanha nazista, os Estados Unidos instalaram bases militares na Groenlândia para conter o avanço alemão no Atlântico Norte. No pós-guerra, Washington chegou a oferecer US$ 100 milhões pela ilha, proposta recusada por Copenhague.
Em 1951, Dinamarca e Estados Unidos assinaram um tratado que autorizou a presença militar americana permanente no território, com o objetivo de monitorar possíveis ataques de mísseis sobre o Polo Norte. O acordo está condicionado à permanência de ambos os países na Otan, e a segurança nacional tem sido o principal argumento usado por Trump para retomar o interesse pela Groenlândia.
Ameaças de Trump à Groenlândia alarmam Europa e Otan
Pela primeira vez, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, líderes europeus admitem confronto entre países aliados






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