A Amazônia registrou 38.266 focos de incêndio em agosto, o maior número para o mês desde 2010, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O bioma, que já enfrenta uma seca histórica, sofre com os efeitos do fenômeno El Niño e das mudanças climáticas, agravando ainda mais a situação.
O volume de incêndios mais que dobrou em comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado de 2024, a Amazônia brasileira contabiliza mais de 63 mil focos de queimadas. A seca prolongada, intensificada pelas chuvas tardias e menos intensas no ano passado, contribuiu para que o ambiente, tipicamente úmido, ficasse vulnerável ao fogo.
Fogo provocado por ação do homem
Incêndios em florestas tropicais como a Amazônia não ocorrem naturalmente e geralmente são causados por atividades humanas, como a queima de áreas para desmatamento e criação de pastos. A vegetação seca e o clima mais quente têm facilitado a propagação das chamas, que estão mais intensas e duradouras do que em anos anteriores.
A especialista em conservação do WWF-Brasil, Helga Correa, aponta que os incêndios observados em agosto são resultado de uma combinação de fatores: o El Niño, as mudanças climáticas e as ações humanas. “A área mais afetada, conhecida como Arco do Desmatamento, inclui regiões do norte de Rondônia, sul do Amazonas e sudoeste do Pará”, afirmou Correa. Ela acrescentou que a alteração no uso do solo tem um papel significativo no aumento das queimadas, além dos fatores climáticos.
Essas condições críticas têm levado a uma redução na capacidade da floresta de gerar chuva e umidade, agravando ainda mais a vulnerabilidade do bioma aos incêndios.
Com informações da Folha de S.Paulo





