Queimadas na Amazônia em 24 horas batem recorde e superam “dia do fogo”

Faltando três dias para o fim do mês, agosto já acumula 31.130 focos de calor, maior número desde 2022

A Amazônia brasileira viveu suas 24h com maior número de queimadas no ano, informa o colunista Carlos Madeiro, do portal UOL. Os dados são do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Entre 21h de terça (27) e 20h59 desta quarta-feira (28), foram 2.433 focos de calor, mais de 100 por hora.

As medições diárias do Inpe são feitas com base no horário GMT, ou seja, com três horas adiantadas em relação ao fuso de Brasília. Para efeito de comparação, o número é maior que o medido no “dia do fogo”, em 11 de agosto de 2019, quando foram registrados 2.366 focos.

Naquela data, uma série de incêndios florestais foram praticados no município de Novo Progresso (PA) — que começaram, na verdade, no dia anterior. Cinco anos depois, ninguém foi punido pelo caso.

Satélites de monitoramento de fogo flagraram uma imensa mancha de monóxido de carbono (que indica queimadas), com mais de 500 km de extensão, sob a Amazônia da Bolívia e, no caso brasileiro, especialmente dos estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas (veja foto abaixo).

Nos últimos dias, a Amazônia brasileira vem assistindo a uma escalada no número de focos.

Dias com mais focos no ano (todos em agosto):

  • 28 – 2.433
  • 26 – 1.988
  • 23 – 1.659
  • 21 – 1.635
  • 14 – 1.476

Faltando três dias para o fim do mês, agosto já acumula 31.130 focos de calor, maior número desde 2022, quando foram 33.116 casos.

Entretanto, a seguir a média nos próximos dias, esse número deve ser alcançado. Desta forma, 2024 vai se tornar o ano com mais fogo na Amazônia desde 2010, quando foram 45.018 focos.

Número alarmante

Segundo Helga Correa, especialista em conservação do WWF-Brasil, o número de queimadas na Amazônia este ano é “muito alarmante”, mas ela pondera que, diferente de 2019, o bioma passa por uma seca histórica, com rios atingindo seus menores índices de vazão da história

“Quando olhamos anos precedentes, 2023 teve uma seca grande na Amazônia e, quando começa o ano de 2024, os rios não retomaram os níveis de normalidade. Agora a gente se aproxima dessa época seca, e temos esse aumento de queimadas. Isso é muito preocupante”, afirma Helga.

Para ela, as queimadas têm um efeito preocupante “na retroalimentação das mudanças climáticas.” “Ao mesmo tempo, essa seca é um reflexo das mudanças climáticas também.”

A especialista afirma que a seca e as queimadas não atingem apenas a Amazônia e devem ser encaradas como um problema nacional:

“A gente tem observado o fogo para além, no Cerrado, no Pantanal. As queimadas de 2024 atingem números acima da média e impressionantes. Isso tem contribuído para a situação de péssima qualidade do ar inclusive nas áreas urbanas”, aponta.

Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e coordenadora do MapBiomas Fogo, assegura que, em 2019, o desmatamento era bem maior do que o deste ano —o que é danoso ao ecossistema.

“Em 2019, tínhamos uma situação com desmatamento acima dos 10 mil km² e um sinal de desgovernança ambiental muito forte, com um El Niño moderado. Em 2024, temos uma seca extrema consecutiva com um desmatamento bem menor”, diz Ane.

Para ela, é preciso ter manejo e controle do fogo para evitar situações de queimadas em números alarmantes:

“As pessoas estão usando o fogo como sempre usaram, mas as condições do clima tem feito esse fogo se alastrar. As pessoas precisam parar de usar o fogo nesse momento em que a paisagem está muito inflamável”, conclui.

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