O almirante de esquadra, Flávio Augusto Viana Rocha, foi barrado por pressão do Ministério das Relações Exteriores do governo de Luís Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga de um posto na Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha. Durante o governo de Bolsonaro (PL), o militar ocupou cargo de confiança na Presidência da República. A informação foi divulgada pela “Folha de S. Paulo”.
Rocha ocuparia o cargo de secretário de Segurança Nuclear e Qualidade da Marinha, segundo a reportagem do jornal. Porém, no Itamaraty, havia o receio de que o almirante ganhasse protagonismo semelhante ao que tinha no governo anterior.
O temor da diplomacia se deve ao fato de que, sob Bolsonaro, o almirante tinha influência sobre temas de relações exteriores,
conforme mostrou à época o jornal.
Flávio Rocha integra hoje o chamado Almirantado, descrito como “órgão de assessoramento superior” na Marinha. Em junho, Jardim também informou que o militar “sobreviveu incólume à passagem de governo”, de forma que continuou integrando o Alto Comando da Marinha.
Na época da transição de Bolsonaro para Lula, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, conversou com o presidente para explicar que o almirante era um profissional respeitado na Força. Dessa forma, Múcio recomendou que Rocha fosse mantido onde estava.
O Globo entrou em contato tanto com a assessoria da Marinha quanto do Ministério das Relações Exteriores, mas não obteve respostas até a publicação.
Até 1° de janeiro deste ano, Rocha era Secretário Especial de Assuntos Estratégicos, cargo vinculado diretamente ao gabinete da Presidência da República. O almirante foi exonerado pelo presidente Lula por meio de um dos primeiros decretos do terceiro mandato do petista.
Após isso, por regra, o cargo dele foi revertido para almirante de esquadra. Nesta posição dentro da Força, Rocha foi, inclusive, designado pelo comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, para viagem oficial à França, onde participou de reuniões com autoridades civis e militares, junto com outros militares.
Em 9 de março, dias depois da volta da Europa, ele foi nomeado para o cargo de Assessor do Comandante da Marinha. Segundo a reportagem do jornal paulista, a partir desta posição ele passou a cuidar de forma não oficial das funções de secretário naval de Segurança Nuclear e Qualidade, cargo para o qual teve a oficialização barrada pelo Itamaraty.
Com informações de O Globo.





