Aliados avaliam que Lula deve barrar proposta de Tebet de desvincular salário-mínimo das aposentadorias

Projeto da ministra do Planejamento já foi criticado pela presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam como remota a chance de o governo aprovar um projeto para desindexar os reajustes da Previdência aos do salário-mínimo. Auxiliares do petista afirmam que a articulação conjunta dos ministros Simone Tebet (Planejamento) e Fernando Haddad (Fazenda) para colocar a proposta em pauta, como uma forma de conter a alta nos gastos públicos, já entrou no radar, mas por ora não terá respaldo do Palácio do Planalto.

Há um entendimento de que uma alteração constitucional que mexesse com a remuneração dos aposentados e pensionistas teria um enorme impacto político, principalmente para a parcela mais pobre da população, base eleitoral de Lula e do PT.

Na segunda-feira, a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), rebateu a defesa feita por Simone Tebet da desvinculação da Previdência do salário mínimo e da inclusão do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) no piso de gastos da Educação, feita em entrevista ao jornal Valor Econômico.

A ministra do Planejamento revelou que, entre as medidas em estudo por sua pasta para reduzir os gastos do governo, está a possibilidade de que as aposentadorias sejam corrigidas apenas pela inflação e não sigam mais a política de valorização do salário mínimo, retomada no ano passado com a volta de Lula ao poder.

Pela regra em vigor, o mínimo é reajustado com base no crescimento do PIB dos dois anos anteriores e na inflação do ano anterior. Tebet disse ao Valor ter dúvida que o país tenha fôlego fiscal para manter a política de correção também para os benefícios previdenciários e para Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a pessoas com mais de 67 anos que não tem renda e não atingiram a contribuição mínima para se aposentarem.

Na semana passada, Haddad postou no X, antigo Twitter, um artigo do economista Bráulio Borges, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) , em que propõe a desvinculação das aposentadorias e do BPC do salário mínimo.

Apesar de Lula, em geral, desde o início do governo, vir seguindo as posições defendidas por seu ministro da Fazenda, aliados acreditam que o passo a ser dado pelo presidente agora seria muito grande. A mudança no reajuste de aposentadoria impactaria diretamente os 39 milhões de beneficiários da Previdência Social. Desses, 26 milhões recebem até um salário mínimo.

Com informações do GLOBO.

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