A repercussão da prisão preventiva do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), na manhã desta quarta-feira (3), atravessou a Carioca e chegou até a Cinelândia. Quem resolveu jogar gasolina no plenário durante a sessão extraordinária — tradicionalmente reservada para pautas não polêmicas — foi Salvino Oliveira (PSD), que rompeu a calmaria para criticar o parlamentar.
Bacellar é acusado de vazar informações sigilosas da Operação Zargun para o então deputado TH Jóias (MDB), permitindo que provas fossem destruídas antes da chegada dos agentes. Com mágoas guardadas desde o ano passado, quando o mandatário da Alerj chamou a Câmara de puxadinho da prefeitura, Salvino resolveu devolver a ofensa aproveitando o mau momento para o homem.
“O Rio acompanha mais uma vez a prisão de um político em nosso estado. Dessa vez, não é um qualquer. É o mesmo que meses atrás ofendeu esta Casa. Parece que para alguns a Alerj é um puxadinho do crime organizado”, disparou Salvino.
O parlamentar subiu o tom, chamando Bacellar de “verdadeiro bandido” e “lobo em pele de cordeiro”, já mirando o cenário eleitoral de 2026. “Ele estava se apresentando como possível candidato a governador. O tempo é justo e mostrou que ele é um verdadeiro bandido que está no lugar de onde não deveria sair”, completou.
PL reagiu às críticas de Salvino
As críticas não agradaram a turma do PL, que reagiu à fala do opositor. Poubel (PL) saiu em defesa do presidente da Assembleia e contra-atacou mirando o Executivo municipal.
“O que está acontecendo agora com o deputado vai ser julgado pela justiça. Isso é muito ruim para a política carioca, não é para ficarmos batendo palma. Na Alerj tem homens honrados, como o deputado Rodrigo Bacellar, independente do que aconteceu. E vale a pena lembrar que o prefeito do Salvino já foi citado em investigações também, como a Lava Jato”, rebateu.
A reação também veio de Rogério Amorim (PL). Médico de ofício, o nobre acompanhou a sessão remotamente dentro de um hospital — gerando até um questionamento irônico de Salvino sobre acúmulo de funções no horário do expediente legislativo —, o que não impediu a contra-argumentação sobre o uso político do caso da prisão.
“Falar de escândalo de uma Casa é um cenário de sempre querer atacar CPF, querer agredir e lacrar. Que todos os culpados sejam punidos, mas sempre respeitando as Casas Legislativas”, pontuou Amorim, lembrando que o jogo sempre pode virar quando se trata de política. “A política é ingrata, muitos já estiveram envolvidos em escândalos e provaram suas inocências”.
Fora do plenário, quem também surfou na onda foi Pedro Duarte (Novo), que usou as redes sociais para resgatar críticas antigas que fazia a Bacellar. “Há 2 anos, enquanto deputados batiam palma, eu avisava: CUIDADO COM BACELLAR. O resultado chegou e Bacellar está PRESO. EU AVISEI!”, publicou.
Quebra do regimento
Depois de todo o alvoroço no plenário, coube a Paulo Messina (PL) bancar puxar a orelha dos nobres. O veterano lembrou aos colegas das regras do novo Regimento Interno, que passou a valer ainda em outubro.
O documento proíbe o uso da palavra para falar sobre assuntos alheios ao projeto em votação — o que tem sido ignorado pela turma desde então, fato que já fez o próprio relator, Dr. Gilberto (SD), chiar com os edis sobre a regra. Messina leu o trecho da regra no microfone, lembrando que a medida foi adotada justamente para evitar que a sessão vire palanque para temas externos e coibir os longos discursos que prolongam e cansam a sessão — e quem a acompanha também, vale ressaltar.






Deixe um comentário