O aumento de casos de alergias severas e as dificuldades enfrentadas por pacientes para obter atendimento rápido em situações de emergência motivaram a apresentação de dois projetos de lei na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
As propostas tratam da criação de ações permanentes de conscientização sobre alergias e da ampliação do acesso à adrenalina autoinjetável, medicamento utilizado em crises graves de anafilaxia.
As iniciativas, apresentadas pelo deputado estadual Anderson Moraes (PL), buscam ampliar a informação sobre os riscos das reações alérgicas e incentivar mecanismos que facilitem o acesso ao tratamento emergencial no estado.
“Muitas pessoas ainda enxergam alergia como algo simples, quando na verdade ela pode matar em poucos minutos. Informação e resposta rápida salvam vidas”, afirmou o parlamentar.
Crescimento dos casos
Segundo especialistas, o número de pessoas com alergias alimentares, respiratórias e medicamentosas vem aumentando nos últimos anos. Entre os fatores apontados estão o avanço da poluição e o crescimento dos casos de intolerância alimentar.
A alergista Aline Martinez afirmou que o cenário tem levado mais pacientes às emergências em estado grave.
“Trabalho com alergia desde 2015, o número de alérgicos, principalmente os respiratórios, tem crescido no estado pelo aumento da poluição e, também, os casos de intolerância alimentar que causam crises alérgicas. Muitas das vezes os pacientes chegam às emergências com quadros severos em anafilaxia. A adrenalina é o único método aplicado para estabilizar o paciente evitando chegar à morte”, explicou.
Campanhas e orientação
Os projetos preveem campanhas educativas, ações de conscientização em escolas e espaços públicos e divulgação de informações sobre sintomas e primeiros atendimentos em casos de reação severa.
As propostas também incentivam a integração entre hospitais, unidades de pronto atendimento, instituições de ensino e entidades da sociedade civil para fortalecer a rede de prevenção e atendimento.
O texto abrange alergias causadas por alimentos, medicamentos, substâncias químicas, agentes ambientais e picadas de insetos.
Dificuldade no acesso à adrenalina
Outro ponto central das propostas é o incentivo à ampliação da oferta da adrenalina autoinjetável no Rio de Janeiro. Atualmente, o acesso ao medicamento ainda enfrenta barreiras relacionadas ao custo e à disponibilidade no país.
Segundo Anderson Moraes, a rapidez no atendimento pode ser decisiva para salvar vidas. “Em muitos casos, a pessoa não consegue chegar ao hospital a tempo. Por isso, o acesso rápido ao medicamento faz toda a diferença”, disse.
Pacientes relatam rotina de cuidados
Quem convive com alergias severas relata a necessidade de vigilância constante e o medo de crises repentinas. É o caso de Vitória Pereira de Carvalho, que sofre reações alérgicas relacionadas a medicamentos.
“Tenho alergia a alguns medicamentos e quando usados me causam a crise e o uso da adrenalina é essencial para o meu restabelecimento, pois é um perigo e ameaça a minha vida. Ter uma lei sobre alergias é muito importante porque sempre preciso ter comigo uma adrenalina para quando necessário”, contou.
As propostas em análise na Alerj também reforçam a importância da capacitação da população para agir corretamente em situações de emergência, além de prever que as medidas respeitem critérios de responsabilidade fiscal, segurança sanitária e integração entre poder público e sociedade civil.






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