Alerj cobra MEC por falta de livros em braille para alunos cegos

Deputados exigem explicações sobre interrupção inédita na distribuição de material acessível

Deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro cobraram, nesta terça-feira (10), esclarecimentos imediatos do Ministério da Educação sobre a ausência de livros didáticos em braille destinados a estudantes cegos e com baixa visão.

O tema ganhou destaque no plenário após pronunciamentos dos parlamentares Índia Armelau (PL) e Fred Pacheco (PMN), presidente da Comissão da Pessoa com Deficiência da Casa, que informou ter notificado oficialmente o ministério.

Fred Pacheco afirmou que a situação atinge cerca de 45 mil estudantes em todo o país e cobrou uma resposta urgente do governo federal. “Já oficiamos o MEC. É uma vergonha: 45 mil alunos cegos e com baixa visão não têm livros em braille para estudar. Não se trata de uma decisão orçamentária, mas política. Quero entender o que o governo da deseducação está querendo, se é um governo para todos. Exigimos uma resposta imediata”, disse o deputado.

Cobrança no plenário

A deputada Índia Armelau também criticou a ausência do material didático no início do ano letivo e classificou o episódio como inédito. “É a primeira vez na história do Brasil que o MEC deixa 45 mil deficientes visuais sem livros didáticos para o início do ano letivo. É uma vergonha para um país cujo governo diz lutar pelas minorias, mas só quer saber de gastar”, declarou.

As manifestações reforçaram o clima de pressão sobre o ministério e ampliaram o debate em torno das políticas públicas voltadas à educação inclusiva, especialmente no atendimento a alunos com deficiência visual.

Alerta de entidades e especialistas

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva, esta é a primeira vez, em quatro décadas, que o governo federal deixa de apresentar um cronograma oficial e de garantir orçamento para a produção e distribuição de livros acessíveis em braille.

O Instituto Benjamin Constant, referência nacional no ensino de pessoas com deficiência visual, informou que 2026 deverá ser marcado por um cenário de “Braille zero” nas escolas brasileiras. A informação teria sido repassada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.

Especialistas da área educacional alertam que a ausência de livros em braille pode provocar prejuízos significativos no processo de aprendizagem, sobretudo entre alunos em fase de alfabetização, com risco de déficit cognitivo irreversível.

O custo estimado para atender todos os estudantes cegos é de aproximadamente R$ 40 milhões, valor que representa menos de 1% do orçamento do Programa Nacional do Livro e do Material Didático, que supera R$ 5 bilhões. Até o momento, o MEC não apresentou justificativa clara para a interrupção das entregas.

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