Alvo de questionamentos de colegas sobre o real tamanho do desgaste com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não deixar dúvidas. Em conversa com senadores, afirmou de forma categórica que o relacionamento entre os dois chegou ao fim. A informação é de Daniela Lima, do UOL.
Entretanto, aliados relatam que o atrito não apenas se manteve como se aprofundou nas últimas horas. A crise ganhou corpo após a escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Clima de ruptura
Conforme relatos, Alcolumbre ficou especialmente irritado ao saber que Wagner vinha tentando minimizar o desconforto entre ambos. Eles discutiram na semana passada, momento em que o presidente do Senado deixou claro que não queria mais interlocução com o petista.
O senador do Amapá tem dito a pessoas próximas que respeita a prerrogativa de Lula de indicar o novo ministro, mas se sentiu traído pela atuação de Wagner. O líder do governo vinha defendendo publicamente o nome de Jorge Messias, escolhido pelo presidente, e argumentava que eventuais resistências no Senado poderiam ser resolvidas politicamente.
Disputa pela vaga no STF
O cenário deixou Alcolumbre ainda mais incomodado, especialmente após aliados do PT o procurarem para saber se o desgaste poderia comprometer acordos internos. Em resposta, o presidente do Senado afirmou: “Não vou trocar uma amizade de 20 anos pela presidência de nenhum banco, não. É um insulto isso”.
Para aliados, o afastamento tem contornos definitivos. O racha entre os dois senadores, que há anos mantinham relação próxima, agora é tratado como um rompimento político e pessoal de difícil reversão.
Tensão nos bastidores
Segundo interlocutores, a percepção no Senado é a de que o clima azedou de vez entre os dois principais articuladores políticos da Casa. A avaliação de um aliado de Alcolumbre sintetiza o momento: “É grave e parece definitivo”.
O impasse abre um novo capítulo da disputa interna em torno da indicação ao STF e pode ter reflexos na relação entre o governo Lula e o Congresso nos próximos meses, especialmente em votações sensíveis que exigem articulação fina entre Executivo e Legislativo.






Deixe um comentário