O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta segunda-feira (29) que está confiante no avanço das negociações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito das tarifas impostas contra produtos brasileiros. Segundo ele, ainda não há definição sobre a data nem sobre o formato do encontro.
“Não tem ainda informação sobre a data e o tipo do encontro, mas entendo que ele é um passo importante para a gente poder avançar”, disse Alckmin em entrevista à rádio CBN.
Estratégia diplomática e cautela
De acordo com fontes do Ministério das Relações Exteriores, citadas pela coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, existe a avaliação de que um encontro em território neutro seria o formato mais adequado para evitar “imprevisibilidades” de Trump. A hipótese de uma reunião inicial à distância também é considerada, com possibilidade de uma agenda presencial apenas em um segundo momento.
Alckmin reforçou a importância do diálogo e lembrou que o tema já vem sendo tratado há meses. “Nós estamos otimistas. Eu acho que a conversa já vem de alguns meses”, declarou, mencionando a ordem executiva dos EUA que, recentemente, retirou a celulose brasileira da lista de produtos afetados pelo tarifaço.
O anúncio na ONU
A possibilidade do encontro foi confirmada pelo próprio Trump em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, no último dia 23. Após uma breve conversa com Lula nos bastidores do evento, o presidente dos EUA relatou que os dois se abraçaram e combinaram discutir o tema “na semana que vem”.
No discurso, Trump fez questão de elogiar o petista e, em tom descontraído, afirmou que “só faz negócios com gente de quem ele gosta”. O gesto foi interpretado como um aceno político, em um momento de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos.
A guerra tarifária
A relação bilateral enfrenta turbulências desde abril, quando Trump determinou uma alíquota padrão de 10% para importações de toda a América Latina. Em julho, a medida foi endurecida especificamente contra o Brasil, com a elevação da tarifa para 50% sobre os produtos brasileiros.
Na ocasião, o presidente estadunidense justificou a decisão alegando que o Brasil teria adotado uma postura hostil em razão da “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado próximo de Trump.
Em resposta, Lula anunciou que aplicará a Lei da Reciprocidade Econômica, mecanismo que permite ao Brasil adotar medidas comerciais equivalentes diante de ações unilaterais de outros países ou blocos.
Expectativas para a reunião
A possível reunião entre Lula e Trump é vista como uma oportunidade de destravar impasses que ameaçam setores importantes da economia brasileira, como o agronegócio e a indústria de base. A equipe diplomática do Brasil aposta que o diálogo direto entre os dois líderes possa atenuar os efeitos da guerra tarifária, que já pressiona exportadores nacionais.






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