Alckmin descarta disputar governo de SP e avisa: se não for vice de Lula, vai ‘capinar em Pinda’

Vice-presidente sinaliza preferência por seguir na chapa de Lula e fecha portas para candidatura em 2026

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), descartou, em conversas recentes com interlocutores próximos, a possibilidade de disputar o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado nas eleições de outubro, informa a CNN Brasil. Segundo relatos, Alckmin deixou claro que sua preferência política é permanecer como vice na chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A posição foi transmitida a aliados em meio a especulações internas sobre o papel que o vice-presidente poderia desempenhar no tabuleiro eleitoral de 2026, especialmente em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

“Capinar em Pinda” como plano alternativo

De acordo com informações relatadas à CNN, Alckmin resumiu suas opções de forma bem-humorada ao afirmar que seu futuro político é continuar como vice ou “capinar em Pinda”, em referência à cidade de Pindamonhangaba, no interior paulista, onde iniciou sua trajetória pública como vereador e prefeito na década de 1970.

A expressão é literal. A família do vice-presidente mantém até hoje um sítio na cidade, local que Alckmin costuma frequentar. Ali, a roçada do mato faz parte de sua rotina quando está fora de Brasília. Aos amigos, ele costuma dizer que capinar é, ao mesmo tempo, uma forma de exercício físico, um momento de reflexão mental e espiritual e uma maneira de se manter próximo da terra e de Deus.

Apesar do tom descontraído, o recado político foi direto: Alckmin não pretende disputar cargos majoritários em São Paulo nas próximas eleições.

Impacto nos planos do PT

Nos bastidores, o Partido dos Trabalhadores chegou a considerar a hipótese de Alckmin concorrer ao governo paulista ou ao Senado. Para o PT, essa movimentação abriria espaço para oferecer a vaga de vice na chapa presidencial a outros aliados estratégicos, como o MDB, em uma composição de caráter mais nacional.

Além disso, o Palácio do Planalto demonstra preocupação com o desempenho eleitoral de Lula em São Paulo. Caso o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) dispute a reeleição, ele aparece como favorito e pode dificultar a atração de votos para o presidente no estado. Nesse cenário, a presença de Alckmin na disputa paulista era vista por setores do governo como uma possível estratégia para equilibrar forças.

A sinalização do vice-presidente, no entanto, esvazia essa alternativa.

Autonomia do vice e reconhecimento interno

Apesar das avaliações estratégicas, ministros próximos de Lula e a cúpula do PT reconhecem que cabe a Alckmin decidir sobre seu próprio futuro político. Essa posição foi expressa publicamente pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, em declaração feita em dezembro.

“Na minha opinião, não é posição do PT, Alckmin será o que ele quiser ser. O vice-presidente Geraldo Alckmin é, na minha avaliação, hoje uma liderança nacional de primeira grandeza no Brasil”, afirmou Edinho Silva.

Lula, por sua vez, costuma dizer que está satisfeito com a escolha de Alckmin como companheiro de chapa em 2022. Na semana passada, os dois tiveram uma conversa reservada, fora da agenda oficial, o que reforçou as especulações sobre o desenho da chapa para a próxima eleição presidencial.

Silêncio oficial

Procurada para comentar as declarações atribuídas ao vice-presidente, a assessoria de Geraldo Alckmin informou que não se manifestaria sobre o assunto. Nos bastidores, porém, a leitura predominante é que Alckmin busca estabilidade política e continuidade no projeto nacional liderado por Lula, afastando-se de disputas regionais em São Paulo.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading