O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), tem dito a aliados que não pretende disputar cargos eletivos por São Paulo caso seja descartado da chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O estado, governado por Alckmin em quatro mandatos, voltou ao centro das articulações políticas depois de Lula admitir, pela primeira vez, a possibilidade de trocar o companheiro de chapa para fortalecer o palanque no maior colégio eleitoral do país.
No PSB, a avaliação é de que a manutenção de Alckmin na vice-presidência tem peso estratégico. A posição do partido será apresentada ao Planalto em reunião prevista para a próxima semana entre Lula e o presidente nacional da sigla, João Campos. A defesa interna é de que o atual vice continue no posto, especialmente diante do cenário de sucessão presidencial no médio prazo.
Resistência a uma candidatura paulista
Pessoas próximas a Alckmin relatam que há pressão de um núcleo do PT para que ele dispute uma vaga majoritária em São Paulo, como forma de reforçar a presença do campo governista no estado. O vice, no entanto, não demonstra disposição para enfrentar o desafio.
Aliados dizem que seria mais fácil convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), a disputar o Palácio dos Bandeirantes — apesar das reiteradas negativas públicas — do que persuadir Alckmin a abrir mão da vice-presidência.
A avaliação é de que, embora escute os argumentos do presidente, Alckmin não vê sentido em retornar a uma arena eleitoral que mudou profundamente desde que deixou o governo paulista, em 2018. O enfraquecimento do PSDB e a consolidação do bolsonarismo em regiões do interior são apontados como fatores que tornam o cenário mais adverso.
Diálogo direto com Lula
Lula e Alckmin, antigos adversários políticos, construíram uma relação de confiança desde a campanha de 2022, quando a aliança foi considerada central para ampliar o arco de apoio ao petista e derrotar Jair Bolsonaro. No governo, o diálogo entre os dois se manteve direto e frequente, sem a necessidade de intermediários.
Foi nesse contexto que a permanência de Alckmin na chapa voltou a ser debatida após Lula mencionar publicamente a possibilidade de mudança. O movimento ocorre enquanto o PT tenta atrair partidos como o MDB para uma composição mais ampla. Ao tratar do cenário paulista, o presidente citou Alckmin, Haddad e a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), como nomes com potencial papel no estado.
“Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem. A Simone também tem um papel para cumprir, também não conversei com ela”, afirmou o presidente.
Peso político da vice
No PSB, o discurso é de que Alckmin demonstrou ao longo do mandato sua relevância política e administrativa, acumulando a função de vice-presidente com o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A legenda avalia que a vice-presidência tem valor simbólico, mas também importância estratégica em um eventual segundo mandato de Lula, quando a discussão sobre sucessão tende a ganhar força.
A defesa da manutenção da chapa também aparece dentro do PT. Para a cúpula do partido, Haddad continua sendo o principal plano para a disputa pelo governo paulista. Aliados de Lula afirmam que a menção a Alckmin como possível candidato teve o objetivo de dividir a pressão sobre o ministro da Fazenda, que vem sendo estimulado por integrantes do governo a entrar na corrida eleitoral.
Durante o evento de aniversário do PT, realizado na Bahia, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu reforçou publicamente essa leitura ao defender a candidatura de Haddad em São Paulo e a continuidade de Alckmin como vice, classificando a chapa de 2022 como um pacto político que deveria ser preservado.
Palanque e cálculo eleitoral
Entre aliados do presidente, a aposta majoritária é de que Alckmin permanecerá na vice. Uma mudança só seria considerada diante de uma alteração relevante do cenário nacional, como a entrada formal de partidos de centro-direita na chapa, hipótese vista hoje como distante. Há ainda quem avalie que Alckmin poderia cumprir papel central como coordenador da campanha de Lula em São Paulo, sem disputar eleições.
A insistência do PT em ter um nome forte no estado está mais ligada ao impacto paulista na eleição presidencial do que à expectativa de vencer o governo local. O atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é visto como favorito à reeleição, e o objetivo petista seria garantir um palanque robusto para Lula.
Em 2022, a candidatura de Haddad ao governo foi considerada decisiva para o desempenho de Lula em São Paulo. O petista venceu na capital e reduziu a diferença no estado, resultado avaliado internamente como fundamental para o desfecho nacional. O histórico reforça, agora, o peso do debate sobre quem ocupará o papel de protagonista paulista na próxima eleição.





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