O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, fez um apelo nesta segunda-feira (13) para que os países assumam metas mais ambiciosas no enfrentamento ao aquecimento global. Ao abrir a Reunião Ministerial Preparatória da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) — a chamada Pré-COP30 —, realizada em Brasília, Alckmin afirmou que o debate climático precisa ser conectado “à vida cotidiana das pessoas” e acompanhado de compromissos concretos.
“O Brasil chega à COP30 como país que acredita em ética, sustentabilidade e responsabilidade. Esperamos o comprometimento da comunidade internacional”, afirmou o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A Pré-COP, que antecede a conferência do clima marcada para novembro em Belém (PA), tem o objetivo de reduzir divergências entre os países e buscar consensos que facilitem as negociações durante o encontro principal. Segundo Alckmin, o multilateralismo deve guiar as discussões, garantindo que as decisões sejam coletivas e equilibradas entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento.
Metas mais rigorosas e financiamento climático
Entre os principais desafios da presidência brasileira na COP30, o governo pretende articular apoio internacional para a liberação de US$ 1,3 trilhão anuais até 2035 voltados ao financiamento climático e à aceleração das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) — as metas de redução de emissões assumidas pelos países no Acordo de Paris, de 2015.
O Acordo busca limitar o aumento da temperatura média global a menos de 2 °C acima dos níveis pré-industriais, e preferencialmente a 1,5 °C. Para isso, Alckmin defendeu que os compromissos sejam revisados e tornados mais ambiciosos.
O vice-presidente detalhou que o Brasil pretende reduzir suas emissões líquidas de gases de efeito estufa de 59% para 67% até 2035, em comparação com os níveis de 2005 — o equivalente a algo entre 870 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de carbono.
“O Brasil reconhece a crise climática e quer uma meta realista de emissões que concilie crescimento econômico e transição energética, com compromisso de desenvolvimento sustentável. O país tem papel fundamental nas três grandes questões do século: segurança alimentar, segurança energética e combate às mudanças climáticas”, disse Alckmin.
Ele ressaltou ainda a posição de destaque do país na matriz energética global: enquanto cerca de 30% da eletricidade mundial provém de fontes renováveis, no Brasil o índice chega a 80%.
Teste diplomático para o Brasil
Segundo fontes envolvidas na organização, a Pré-COP funciona como uma espécie de “ensaio diplomático” para o Brasil antes da conferência principal. Não há expectativa de anúncios oficiais ou assinatura de novos compromissos, mas sim de alinhamento político e construção de uma base comum para os acordos que serão negociados em Belém.
O governo brasileiro tem insistido na necessidade de ampliar o financiamento climático e revisar as metas globais de redução de emissões, consideradas insuficientes diante da aceleração do aquecimento global. Atualmente, apenas 62 dos 196 países signatários da ONU apresentaram novas NDCs.
Além do aspecto técnico, a Pré-COP também reforça a imagem do Brasil como mediador confiável e liderança ambiental em um contexto internacional fragmentado, em que a transição verde é vista não apenas como desafio climático, mas como disputa geopolítica e econômica.
Amazônia no centro da diplomacia ambiental
A COP30, que será realizada em Belém, tem grande valor simbólico para o país por recolocar a Amazônia no centro da agenda climática global. O governo Lula aposta que o evento consolidará a imagem do Brasil como ator estratégico na busca por um novo pacto ambiental.
A expectativa do Itamaraty é que a conferência em solo amazônico estimule compromissos concretos de financiamento e cooperação tecnológica, reforçando o papel do Brasil como porta-voz do Sul Global.
Alckmin encerrou o discurso pedindo união entre as nações: “O Brasil acredita na força do multilateralismo e no diálogo como caminhos para enfrentar a crise climática. Nenhum país será capaz de vencer sozinho esse desafio global. Precisamos de cooperação, solidariedade e coragem para agir agora.”
Com a Pré-COP, o país entra na reta final de preparação para a conferência de Belém, que promete ser uma das mais decisivas da última década no esforço internacional contra o aquecimento do planeta.






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